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Cerimônia histórica no Palácio da Justiça recebe Oxê de Xangô pela primeira vez em mais de 200 anos do TJPE

O ato integrou a Caminhada dos Terreiros de Pernambuco, que marca a abertura da programação do Mês da Consciência Negra.

4 nov 2026 - 22h58
(atualizado às 23h29)
Resumo
Em um marco histórico de seus 200 anos, o Tribunal de Justiça de Pernambuco recebeu o Oxê de Xangô, símbolo de justiça das religiões de matriz africana, entregue pela Rede de Terreiros na abertura do Mês da Consciência Negra. O presidente do TJPE, desembargador Francisco Bandeira de Mello, foi homenageado pela ialorixá Mãe Elza de Yemojá e reafirmou o compromisso do Judiciário com a liberdade de culto e o combate ao racismo, em ato que também celebrou membros da comissão de equidade racial da corte.

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) viveu, na tarde desta quarta-feira (4/11), um momento histórico. Pela primeira vez em mais de dois séculos de existência, o Tribunal recebeu o Oxê de Xangô, símbolo sagrado das religiões de matriz africana, entregue em homenagem pela Rede de Terreiros de Pernambuco, articulação que reúne lideranças e comunidades religiosas na defesa da liberdade de culto e no combate ao racismo.

Cerimônia histórica no Palácio da Justiça recebe Oxê de Xangô pela primeira vez em mais de 200 anos do TJPE
Cerimônia histórica no Palácio da Justiça recebe Oxê de Xangô pela primeira vez em mais de 200 anos do TJPE
Foto: Divulgação / Portal de Prefeitura

Desde o início da tarde, o hall de entrada do Palácio da Justiça e, posteriormente, o Salão Nobre foram tomados por centenas de lideranças religiosas. Com suas vestimentas tradicionais, turbantes e fios de contas, os participantes entoaram cânticos em celebração à liberdade religiosa, à resistência de seus ancestrais e à luta pela equidade racial.

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O Oxê de Xangô é um machado de duas lâminas que simboliza a justiça, o equilíbrio e a imparcialidade. O objeto está associado a Xangô, orixá das religiões de matriz africana ligado à justiça, ao trovão, ao fogo e ao poder, especialmente na tradição do candomblé.

O símbolo foi entregue ao presidente do TJPE, desembargador Francisco Bandeira de Mello, pela ialorixá Mãe Elza de Yemojá, liderança religiosa e militante do movimento negro, reconhecida por sua atuação em defesa da liberdade religiosa e no enfrentamento ao racismo.

"Agradeço tudo o que o senhor fez por nós, por abrir as portas e entender as nossas causas", afirmou Mãe Elza ao homenagear o presidente.

Em seu pronunciamento, o desembargador Francisco Bandeira de Mello destacou a trajetória de resistência dos povos de terreiro e reafirmou o compromisso institucional do Judiciário pernambucano com os direitos humanos e o respeito à diversidade.

"Muito obrigado a todos os senhores e senhoras, aos seus ancestrais e às gerações que vieram depois deles, que sofreram e resistiram, e que ainda hoje enfrentam o preconceito e a intolerância. Saibam que o combate ao racismo e a todas as formas de discriminação, seja por religião, cor da pele, crença, gênero ou orientação sexual, será sempre um compromisso inegociável deste Tribunal. Nossa missão é assegurar que a justiça, a equidade, o respeito às diferenças e a dignidade humana prevaleçam, sem distinção de qualquer natureza", afirmou o presidente.

Também participou da homenagem Edson Axé, liderança das religiões de matriz africana em Pernambuco, com trajetória no movimento negro e na defesa da liberdade religiosa.

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Durante a cerimônia, duas outras autoridades do Judiciário pernambucano receberam homenagens especiais: o desembargador Eudes França e a juíza Luciana Maranhão, respectivamente presidente e vice-presidente da Comissão de Políticas Judiciárias de Equidade Racial e suas Interseccionalidades do TJPE. Criada na gestão do desembargador Ricardo Paes Barreto, a comissão desenvolve ações voltadas ao enfrentamento do racismo e à promoção da equidade racial no âmbito do Judiciário.

A solenidade reuniu magistrados, advogados, membros do Ministério Público, servidores, lideranças religiosas e representantes políticos. O ato integrou a Caminhada dos Terreiros de Pernambuco, que marca a abertura da programação do Mês da Consciência Negra.

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