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Beleza indetectável é a nova moda entre os famosos; cirurgião explica fenômeno

Imaginário estético exagerado fica para trás, dando lugar à uma beleza mais 'descansada' e natural

5 mai 2026 - 04h59
Anne Hathaway já fez mini lifting facial
Anne Hathaway já fez mini lifting facial
Foto: Tayfun Coskun/Anadolu via Getty Images

Se antes o hype era mostrar que havia feito uma plástica ou algum procedimento estético, agora o objetivo é outro. Nos tapetes vermelhos e nas redes sociais, é possível ver que famosas como Demi Moore, Lindsay Lohan, Christina Aguilera, Anne Hathaway, Di Caprio até as Kardashians aderiram a nova moda de uma beleza mais natural. O objetivo é que os procedimentos sejam ‘indetectáveis’. 

A era do chamado ‘Instagram face’, com maçãs do rosto muito projetadas, lábios volumosos, testa imóvel e olhos puxados, dominou o imaginário estético nos últimos anos, mas chegou ao fim — pelo menos por enquanto. Em entrevista ao Terra, o cirurgião plástico Rafael Paccanaro, referência em contorno corporal masculino explica que a mudança já era previsível. 

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“O resultado foi uma certa homogeneização: pessoas diferentes começaram a parecer versões da mesma fisionomia. A reação a isso era previsível. O ser humano valoriza singularidade, e quando todos se parecem, a identidade pessoal se perde.”

A chamada ‘beleza indetectável é, segundo o especialista,  um retorno a um princípio antigo da cirurgia plástica: o melhor resultado é aquele que não se anuncia. “As pessoas continuam querendo cuidar da aparência, mas agora desejam parecer descansadas, saudáveis e bem cuidadas, e não ‘operadas’”, aponta. 

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Foto: James Devaney/GC Images/Getty Images

O componente cultural também favoreceu para que esse movimento acontecesse, já que as redes sociais expuseram tantos exageros que o público desenvolveu um olhar mais crítico. “Hoje, ser elogiado por ‘estar bem’ vale mais do que ser identificado como alguém que fez procedimentos”, exemplifica. 

Procedimentos mais comuns

Entre os procedimentos mais procurados para evidenciar uma beleza mais natural, estão os preenchimentos com ácido hialurônico, usado para repor volumes que se perdem com o tempo, hidratar a pele em profundidade e suavizar sulcos; toxina botulínica em microdoses, para paralisar áreas; e lasers e tecnologias de radiofrequência microagulhada que tratam manchas, melhoram a textura e estimulam colágeno em camadas mais profundas, sem cirurgia.

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Além disso, há também os peelings químicos, que renovam a superfície da pele melhorando o brilho, manchas e linhas finas; blefaroplastia, para remover o excesso de pálpebras; lifting facial moderno, que reposiciona as camadas profundas da face, devolvendo o suporte natural; e lipoescultura facial e enxerto de gordura, na qual o cirurgião usa a própria gordura do paciente para repor áreas que perderam preenchimento com o tempo.

Enquanto boa parte deles é minimamente invasiva, como preenchimento com ácido hialurônico, toxina botulínica, lasers e peelings, outros procedimentos continuam sendo cirúrgicos. Paccanaro afirma que o que mudou mesmo  não foi o grau de invasividade, mas a filosofia e a técnica. 

Christina Aguilera passou por 'rejuvenescimento'
Foto: Bryan Steffy/Getty Images

“As abordagens atuais são mais precisas, com incisões mais bem planejadas, manipulação mais delicada dos tecidos e foco em reposicionar estruturas em vez de simplesmente ‘puxar’ a pele. O resultado é mais natural justamente porque respeita a anatomia. Um procedimento minimamente invasivo malfeito pode deixar uma marca tão evidente quanto uma cirurgia mal planejada”, relata. Ou seja, o resultado discreto não vem necessariamente do bem feito, vem do melhor indicado. 

Para mulher e homens a partir dos 25 anos 

O médico explica ainda que a procura é ampla para os mais variados procedimentos, mas que o cuidado preventivo predomina entre a faixa etária entre os 25 e 35 anos. Nessa idade, costuma-se indicar skincare orientado, microdoses de toxina botulínica, preenchimentos pontuais e tratamentos para qualidade de pele. “É a fase do envelhecer bem desde cedo”, esclarece. 

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Já entre os 35 e 50 anos, ocorrem as intervenções mais estruturais, quando são indicados preenchimentos para repor volumes que começam a se perder. E aí entram os lasers mais potentes e até a blefaroplastia precoce, em alguns casos, para corrigir os primeiros sinais sem mudar a fisionomia.

“Acima dos 50, geralmente discutimos cirurgias como lifting facial e blefaroplastia, sempre combinadas a tratamentos de pele e a pequenos preenchimentos para um resultado harmônico”. Paccanaro também justifica que a idade cronológica e biológica nem sempre coincidem. “Genética, exposição solar, tabagismo e estilo de vida pesam mais do que o número no documento”, reforça. 

As mulheres ainda são maioria, historicamente, mas o público masculino também vem crescendo com o passar do tempo, ainda mais nessa nova onda de naturalidade. De acordo com o especialista, os homens costumam ter um receio já antigo de "parecer que fezeram algo", o que casa perfeitamente com a ‘beleza indetectável’. 

Leo Di Caprio também passou por procedimentos 'indetectáveis'
Foto: Emma McIntyre/WireImage/GettyImages

Outro movimento que instigou o público masculino a procurar por uma beleza mais natural, foi o uso das "canetas emagrecedoras" — medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida. Nesse contexto, eles têm buscado cada vez mais por cirurgias voltadas para o contorno corporal. 

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“Muitos homens perderam quantidades expressivas de peso em pouco tempo e passaram a conviver com sobras de pele e flacidez, principalmente em abdômen, flancos e tórax. Para esses pacientes, cirurgias como abdominoplastia, lipoaspiração associada e, em alguns casos, dermolipectomias mais amplas ajudam a finalizar o processo de transformação que começou no tratamento clínico”, aponta. 

Além disso, há também o desejo por definição e a dificuldade de se livrar das gorduras localizadas resistentes. O médico ainda reforça que o ponto-chave para entender essa nova moda é saber que envelhecer não é um defeito a ser corrigido, mas um processo a ser acompanhado. O objetivo não é voltar aos 20 anos, e sim envelhecer com saúde e harmonia

Fonte: Portal Terra
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