Longe do Met Gala: estilista brasileira exibe vestido com pintura de aves tropicais em Washington em exposição que foca em moda, poder e paz

6 mai 2026 - 16h51
(atualizado às 17h03)

A moda brasileira vai além das semanas de moda. Enquanto Nova York recebia o Met Gala, que gerou críticas pela presença e influência de Jeff Bezos e de Lauren Sánchez entre os nomes que financiam o evento, Washington D.C. sediava um encontro mais discreto, mas igualmente relevante, com participação brasileira. A estilista Maísa Gouveia, que comanda um ateliê em Goiânia especializado em moda festa, teve um vestido selecionado para a terceira edição da mostra "Fashioning Power, Fashioning Peace", na The President Woodrow Wilson House — a única casa-museu dedicada a um ex-presidente dos Estados Unidos, onde Woodrow Wilson viveu após deixar a Casa Branca, em 1921.

Mesmo com a agenda cheia de encomendas, Maísa aceitou o convite da produtora Rayza González, presidente da Global Couture U.S., organização que conecta profissionais da moda de diferentes origens e coordena a exposição. O contato surgiu após a colombiana ver uma criação da estilista em uma publicação de moda. A partir daí, Maísa e sua filha e sócia, Natália, aceleraram o processo para finalizar e enviar o vestido aos Estados Unidos a tempo da mostra.

O vestido criado por Maísa aposta em uma estética clássica com intervenção artística. Confeccionado em zibelina de seda pura off-white, o modelo é tomara-que-caia, com decote coração bem estruturado, que valoriza o colo, e corpo ajustado até a cintura. A partir daí, a saia godê se abre com volume e movimento, criando uma silhueta feminina e atemporal — uma construção que remete à alta-costura tradicional.

O diferencial está na superfície do tecido. A peça recebeu pintura manual do artista visual Celso Afonso, com aves tropicais distribuídas ao longo da saia. As cores e formas trazem contraste ao fundo claro e inserem uma leitura mais contemporânea e brasileira ao vestido, quebrando a rigidez do modelo clássico e adicionando identidade autoral.

Inaugurado em 1963, o museu realiza exposições que relacionam moda a contextos políticos e sociais. Nesta edição, reúne criações de estilistas de 59 países, com foco em temas como poder, diplomacia e paz. A mostra acontece nesta semana, em paralelo ao Met Gala, e o evento com desfile foi realizado na segunda-feira (4), mesmo dia do baile de Nova York.

O evento de abertura contou com nomes como Phoebe Tudor, presidente do National Trust for Historic Preservation, a rainha consorte da Maria da Dinamarca e Nancy Pelosi, responsável pelo discurso da noite.

Apesar do ambiente político atual dos Estados Unidos, ainda marcado por forte presença masculina, a exposição se destaca pela predominância feminina. A direção da casa-museu está a cargo de Elizabeth Karsher, e o comitê deliberativo de "Fashioning Power, Fashioning Peace" é liderado por Janet Pitt. Entre os integrantes, são 39 mulheres e 19 homens. A mostra, que a cada edição reúne criações que exploram a relação entre poder, diplomacia e herança cultural, tem sido majoritariamente feminina — e, desta vez, conta também com a contribuição de Maísa Gouveia para reforçar essa proposta.

Raysa González
Raysa González
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
Rainha Maria, da Dinamarca
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
Da esquerda para a direita, Nancy Pelosi, Elizabeth Karcher e Janet Piit
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
José Forteza, diretor da Vogue Latinoamérica, entre Natália e Maísa Gouveia
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
Vestido assinado mpor Maísa Gouveia
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
Vestido assinado mpor Maísa Gouveia
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
Vestido assinado mpor Maísa Gouveia
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho
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