Jeniffer Nascimento, 32 anos, que recentemente protagonizou a novela "Êta Mundo Melhor", como a cantora Dita, embarca esta semana para os Estados Unidos para representar a classe artística brasileira no AFI Life Achievement Award. Trata-se da noite de gala do American Film Institute, que neste ano homenageia o ator e comediante Eddie Murphy, protagonista de clássicos como "Um Tira da Pesada" (1984) e "Um Príncipe em Nova York" (1988).
O convite foi feito por Marcello Coltro, vice-presidente sênior de distribuição, marketing e criação da NBCUniversal International Networks e Direct-to-Consumer para a América Latina. "Fiquei muito feliz quando o Marcello me chamou. É uma honra para mim representar o Brasil, como outras já fizeram, como Taís Araújo, Adriane Galisteu, Juliana Paes e Danni Suzuki. Mulheres muito fortes e que eu admiro muito", disse Jeniffer em entrevista exclusiva ao "Elas no Tapete Vermelho". Veja entrevista completa:
Jeniffer foi apresentadora do programa "Vocalizando", da NBCUniversal, que revela cantoras e atrizes que moram na periferia. "Eu digo para essas mulheres que têm sonhos e habilidades, mas nem sempre oportunidades, que elas precisam criar essas oportunidades. Se as portas não se abrem para elas, que construam suas próprias portas", aconselhou.
Sobre ser protagonista na novela, ela afirmou: "Há 10 anos, em 'Êta Mundo Bom', a Dita era mais submissa. E subverter esse papel e mostrar uma heroína, uma mulher forte e inspiradora, veio não só como um presente do universo, mas era um momento muito almejado, e agarrei com todas as forças."
Apesar de o momento apresentar um aumento de atores e protagonistas negros no audiovisual brasileiro, ela acredita que ainda há muito a avançar. "Não só a representatividade é importante, mas também reconstruir esse imaginário das narrativas. Ter atores e atrizes pretos em lugares de poder, onde é comum ser bem-sucedido, é comum ter uma vida normal, sem ser somente marginalizado", afirmou.
Na entrevista, ela lembrou ainda a importância de Eddie Murphy no cinema, abrindo caminhos para atores pretos. "Além da representatividade, ele trouxe o protagonismo para um lugar de não sofrimento dos corpos negros. Em 'Um Príncipe em Nova York', por exemplo, foi uma das primeiras vezes que minha geração se recorda de ter visto um homem negro nesse lugar de realeza, além de sempre ter muito humor e muita leveza. Algo que reflete muito no meu trabalho", lembrou.
Jeniffer ainda não escolheu seu look para passar no tapete vermelho do evento que homenageia o ator estadunidense. "Estou vendo tudo que possa comunicar melhor o que quero transmitir nessa minha primeira aparição em Hollywood, em um evento internacional. Tem que ser algo que mostre realmente quem é a artista Jeniffer Nascimento, que não costuma passar batido", revelou.
Além de passar pelo tapete vermelho, a atriz participará de um jantar de gala e da homenagem a Murphy. O evento será seguido de uma festa com a participação de grandes nomes do cinema americano, entre atores, diretores e produtores.