Itália multa Armani por declarações éticas 'enganosas'

Segundo autarquia, situação de trabalhadores contradiz valores

1 ago 2025 - 08h01
(atualizado às 08h51)

O órgão antitruste da Itália multou a grife Giorgio Armani em 3,5 milhões de euros, o equivalente a R$ 22,3 milhões pela cotação atual, por prática comercial enganosa a respeito das condições de trabalho na produção de suas peças de couro.

Estilista Giorgio Armani posa com modelos após desfile na Semana de Moda de Milão, em janeiro
Estilista Giorgio Armani posa com modelos após desfile na Semana de Moda de Milão, em janeiro
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo a Autoridade de Garantia da Concorrência e do Mercado (AGCM), a marca deu "declarações éticas e de responsabilidade social não verdadeiras e que não foram apresentadas de modo claro, específico, acurado e inequívoco".

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Essas declarações estão no Código de Ética e no site da Armani e, de acordo com a autarquia, são um instrumento de marketing voltado a responder às crescentes cobranças dos consumidores a respeito de sustentabilidade e responsabilidade social.

No entanto a AGCM apontou que esses valores contradizem as reais condições de trabalho verificadas em fornecedores e subfornecedores responsáveis por boa parte da produção de bolsas e acessórios de couro da grife.

A investigação mostrou que empresas subcontratadas por fornecedores da Armani chegaram a remover dispositivos de segurança de maquinários para aumentar sua capacidade produtiva, "colocando em grave risco a segurança e a saúde dos trabalhadores".

Além disso, funcionários que produziam os luxuosos artigos da grife recebiam parte dos salários "por fora" e não tinham condições sanitárias adequadas para trabalhar.

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"Nesse contexto, é evidente que o respeito dos direitos e da saúde dos trabalhadores não corresponde ao teor das declarações éticas e de responsabilidade social difundidas pela Giorgio Armani", disse o órgão antitruste, acrescentando que a empresa estava ciente dessa situação.

Em nota, a Armani afirmou ter recebido com "tristeza e surpresa" a multa da AGCM e prometeu recorrer à Justiça Administrativa contra a sanção. "Sempre operamos com a máxima correção e transparência em relação aos consumidores, ao mercado e aos stakeholders", assegurou

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