Para reduzir a alta emissão de CO2 na produção de cimento, cientistas da Índia descobriram que fezes humanas podem ser convertidas em biochar para compor um concreto mais forte e sustentável. O processo consome menos energia que a calcinação tradicional e reaproveita resíduos orgânicos, promovendo a economia circular. A técnica surge como uma alternativa ecológica para a construção civil, solucionando o descarte de dejetos e mitigando o impacto ambiental sem perder resistência.
Se o concreto não fosse um material indispensável para a construção de edifícios, não estaria sendo utilizado há milhares de anos sem ser substituído por outro. Infelizmente, ele é tão indispensável quanto poluente, já que, para obter um de seus principais ingredientes — o cimento —, é preciso aquecer calcário a temperaturas altíssimas, acima de 1.000ºC.
A realização desse processo, conhecido como calcinação, exige muita energia. E, naturalmente, sua obtenção resulta na liberação de uma enorme quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Diante desse problema, cientistas buscam há anos novos materiais capazes de substituir pelo menos uma parte desse cimento, sem que o concreto perca sua resistência.
Já se testou de tudo, desde cinzas de casca de arroz até fraldas e lenços descartáveis. Agora, uma equipe de cientistas da Índia descobriu que as fezes humanas também podem ser uma excelente opção. De fato, com elas, resolvem-se dois problemas de uma só vez.
Das águas residuais ao biochar
A maioria das alternativas ao cimento estudadas consiste na obtenção de biochar (biocarvão). Trata-se de um material muito rico em carbono, obtido pelo aquecimento de matéria orgânica em um ambiente com pouco oxigênio.
Não são necessárias temperaturas tão elevadas quanto as exigidas para o calcário, o que reduz o consumo de energia; além disso, como essa matéria orgânica frequentemente provém de resíduos, o processo configura uma forma de economia circular.
Neste caso, os autores do estudo ...
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