Um estudo da NASA revelou um novo obstáculo biológico para colonizar Marte: os danos ao coração. Testes que simularam a microgravidade e a radiação cósmica em ratos demonstraram o surgimento de fibrose perivascular, caracterizada pelo espessamento dos tecidos ao redor dos vasos cardíacos. Esse dano prejudica o bombeamento de sangue e se agrava com o tempo, manifestando-se meses após a exposição, o que indica que as viagens espaciais prolongadas oferecem sérios riscos cardiovasculares à tripulação.
A conquista de Marte é o próximo grande salto da exploração espacial, mas o corpo humano não evoluiu o suficiente para sobreviver no espaço profundo. Esse é um problema grave, pois exige tecnologia de ponta para enviar uma tripulação ao Planeta Vermelho; além disso, existe um gargalo biológico.
O outro perigo
Historicamente, a principal preocupação médica tem sido o risco de câncer decorrente da exposição à radiação cósmica. No entanto, um novo estudo financiado pela NASA voltou sua atenção para outro órgão vital: o coração.
A pesquisa analisou como os fatores estressores dos voos espaciais afetam o sistema cardiovascular. Para isso, um grupo de ratos foi submetido a uma combinação de suspensão das patas traseiras — simulando os efeitos da microgravidade — e a rajadas de íons pesados, que emulam os raios cósmicos encontrados no espaço. Tudo isso, naturalmente, dentro de um simulador especializado.
Observou-se que a radiação induziu fibrose perivascular, caracterizada pelo espessamento e endurecimento do tecido ao redor dos vasos sanguíneos do coração. Isso pode dificultar significativamente o funcionamento adequado do órgão, prejudicando a distribuição de sangue por todo o organismo.
O aspecto mais preocupante é que essa fibrose não surge instantaneamente; ela torna-se visível muitos meses após a exposição a tais condições. Para se ter uma ideia, com uma dose de radiação de 0,75 Gy — quantidade considerada relevante pelos autores para missões a Marte —, a quantidade de colágeno ...
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