Barulho dos navios é tão intenso que, debaixo d'água, as baleias estão gritando desesperadas

As baleias no Estreito de Gibraltar estão vendo sua comunicação deixar de ser fluida — por nossa culpa

20 mai 2026 - 10h06
(atualizado às 15h21)
Estreito de Gibraltar
Estreito de Gibraltar
Foto: rawpixel.com Magnific / Xataka

O oceano já não é o paraíso silencioso que costumava ser: a cacofonia constante de motores, hélices e cascos de embarcações gigantes criou uma verdadeira "névoa acústica" que está sufocando a vida marinha. E isso está gerando um problema muito grave, sobretudo para as baleias, que estão tentando elevar a voz para serem ouvidas em meio ao ruído dos navios, mas fisicamente já não conseguem gritar mais.

No Estreito de Gibraltar, uma das rotas marítimas mais movimentadas do planeta, os cetáceos estão vivendo no limite. E ali a ciência está observando que as baleias-piloto estão "gritando" para se comunicar com seus grupos.

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No entanto, o esforço é em vão, já que os dados revelam que, por mais que essas baleias tentem elevar suas vocalizações, elas mal conseguem alcançar metade do nível de ruído gerado pelo tráfego marítimo contínuo. Simplesmente, o estrondo dos cargueiros e balsas as silencia e corta seus laços de comunicação com outras de sua espécie.

Por que não mais alto? Seria a pergunta mais lógica que pode vir à cabeça, mas a realidade é que a ciência aponta para a existência de um limite fisiológico intransponível em suas laringes, que torna impossível elevar mais a "voz".

É preciso levar em conta que a anatomia vocal dessas baleias-piloto está perfeitamente adaptada às profundezas, mas se torna ineficaz para competir com as frequências e o volume dos navios mercantes que passam pela superfície. De fato, abaixo dos 100 metros de profundidade, sua capacidade de compensar o ...

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