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Afinal, teremos corridas sprint na F1 em 2022?

O calendário da F1 prevê seis corridas sprint para a temporada de 2022. No entanto, a questão dos custos ainda não está resolvida

19 jan 2022 18h26
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A largada da sprint em São Paulo: formato está ameaçado em 2022?
A largada da sprint em São Paulo: formato está ameaçado em 2022?
Foto: Pirelli Motorsport / Twitter

Uma das grandes novidades que a Fórmula 1 implantou no ano de 2021 foi a introdução das corridas sprint. Ainda como teste, o novo formato foi realizado em três Grandes Prêmios: Silverstone, Monza e Interlagos. O modelo agradou a patrocinadores e foi aprovado por parte do público, o que motivou a categoria a expandir a ideia para seis etapas em 2022. 

Esportivamente, as sprints pouco agregaram ao espetáculo, visto que duas das três edições tiveram pouca ação. A prova de Interlagos foi agitada graças à atuação excepcional de Lewis Hamilton – que só ocorreu porque ele largou do fundo do grid, fora de sua posição “natural”, diga-se. Mas, se comercialmente faz sentido, é perfeitamente compreensível que o modelo seja replicado e expandido. Barein, Ímola, Canadá, Áustria, Holanda e novamente São Paulo foram anunciados como os palcos das corridas sprint em 2022. 

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Mas, a julgar pelo que foi dito por Zak Brown, a coisa ainda não é tão certa. O CEO da McLaren soltou o verbo sobre diversos assuntos em uma coluna recente escrita para o site da equipe (abordamos alguns nesse artigo), entre eles a discussão que acontece nos bastidores com relação às despesas decorrentes das corridas sprints. Segundo o chefão, a questão dos custos segue em aberto, o que pode até colocar em risco a realização do formato em 2022. 

Entenda a polêmica

Assim como no cenário político-econômico brasileiro atual, a Fórmula 1 vive um momento de debates referentes a teto de gastos, austeridade, contenção de despesas, partes querendo autorização para “furar” o teto e partes querendo se ater ao limite orçamentário. 

Depois de anos de discussão, o teto de gastos finalmente está em vigor na Fórmula 1. Para 2022, o regulamento prevê que as equipes não gastem mais do que 140 milhões de dólares ao longo do ano – não entrando na conta despesas de marketing e os maiores salários. O teto é uma boa notícia para as equipes pequenas e médias, mas não agrada tanto aos times mais fortes, que trabalhavam com orçamentos (bem) maiores que o novo limite. 

Para realização das corridas sprint em 2022, a organização da F1 ofereceu pagar aos times um valor adicional de 500 mil dólares para cada uma das cinco primeiras edições, mais 150 mil para cada evento realizado depois disso. Ou seja, com as seis edições propostas, chega-se ao valor de 2,65 milhões de dólares de faturamento além do teto. Na média, cada equipe receberia cerca de 450 mil dólares em cada sprint 

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Em 2021, o rendimento das sprints foi diferente: cada equipe recebeu 100 mil dólares por cada uma das três etapas, e foi concedida uma autorização para “furo do teto” de 450 mil dólares por equipe. Além disso, seriam autorizados gastos de mais 100 mil dólares em caso de acidente na sprint para fins de reparo. No total, cada equipe teve 750 mil dólares para gastar além do teto (então de 145 milhões), mas apenas 300 mil vindos da F1, e o restante com recursos próprios. 

É aí que mora a discussão: enquanto boa parte dos times se deu por satisfeito com a proposta da organização para 2022, que já era bem mais atrativa que a de 2021, outros, os maiores, não. Para essas equipes, deveria haver uma brecha que permitisse o estouro do teto de gastos prevendo a possibilidade de acidentes ou custos extras nas sprints. Zak Brown, defensor do limite orçamentário, não perdoou. Para ele, o que as equipes grandes querem é apenas um pretexto para gastar mais no desenvolvimento de seus carros. 

“Alguns times ainda buscam por desculpas para aumentar os gastos e ganhar o campeonato passando cheques. O lobby que certas equipes estão fazendo para aumentar o limite de despesas para danos em corridas sprint é um exemplo.” E seguiu: “Esses times continuam demandando aumentar o limite de gastos para uma quantidade desordenada de dinheiro, apesar da clara evidência de que houve poucos danos aos carros nessas corridas no ano passado, em uma tentativa velada de se proteger de uma possível erosão de suas vantagens competitivas.” 

Zak Brown falou sobre as disputas nos bastidores
Foto: McLaren F1

O tema das sprints (e a grana envolvida) ainda não teve o martelo batido. Decisões de regulamento que afetem o campeonato do ano corrente devem ter aprovação de pelo menos oito das 10 equipes. Com a questão orçamentária desagradando as três maiores equipes, que, por sua vez, exercem influência sobre suas equipes satélites ou clientes, é possível que se chegue aos oito votos e sua demanda por maior liberdade de gastos seja atendida. Assim, o que parecia depender apenas de uma aprovação formal, pode estar em risco. 

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Perguntado pela Autosport como o imbróglio pode ser resolvido, Zak Brown se mostrou reticente: “Pode não ser, o que seria uma pena”. O temor de Brown se dá pois, com a pressão exercida pelos times grandes pela alteração na questão financeira, a possibilidade de não se chegar a nenhum acordo e o plano ser empurrado para 2023 está à mesa. Nesse caso, por se tratar de uma mudança para um campeonato futuro, bastariam 6 votos para aprovação. 

Brown já se diz contrário a debater o tema pensando em 2022: “Gostaria que não entrássemos numa situação em que votemos pensando em 2022, onde teríamos a questão dos oito votos. Já está tarde demais para isso. Acho que devemos travar o tema para 2023 agora, sem nenhum aumento de gastos, se quisermos ser firmes nesse aspecto”, afirmou. 

“Então, ou terá de haver um acordo feito e aumentamos um pouco [os gastos] para começar em 2022, ou pulamos 2022.” Disse o chefão da McLaren, que fez questão de relembrar quem considera culpado, mesmo sem citar nomes: “Nesse caso, acho que alguns times teriam que explicar para os fãs porque não haverá corridas sprint.” 

Treinos livres também podem entrar na pauta

Recentemente, o site holandês RacingNews365 trouxe a informação de que a programação dos fins de semana de Grande Prêmio sofreria algumas alterações para 2022. Segundo a fonte, a quinta-feira, tradicionalmente reservada para atividades comerciais e de imprensa, deixaria de fazer parte do calendário do fim de semana de corrida, com tais eventos passando para a manhã de sexta-feira, antes dos treinos livres. 

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A proposta faz sentido, uma vez que o calendário de 2022 será inchado como nunca, com 23 etapas e duas rodadas triplas - o terror da Logística e do staff das equipes. Diminuir um dia de atividade em cada fim de semana significaria economizar pelo menos 23 dias de trabalho das puxadas rotinas dos profissionais do circo da Fórmula 1, o que, sem dúvida, seria importante. Essa é uma demanda de várias equipes - inclusive da McLaren de Zak Brown.

No entanto, chama atenção outro aspecto da matéria. Na proposta mencionada, fala-se em aumentar os dois treinos livres de sexta-feira de 60 para 90 minutos, como eram até 2020. A sessão de sábado se manteria com 60 minutos. 

Uma hora a mais de atividade de pista por fim de semana, inevitavelmente, custaria dinheiro. Serão dois carros usando mais combustível, consumindo mais pneus e desgastando mais peças. Em um cenário de disputas por corte de custo versus liberação de mais verba, essa proposta parece um prato cheio para um novo embate entre os times. Será que é o momento de se propor aumentar os treinos livres? Veremos cenas dos próximos capítulos. 

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