Volkswagen abre caminho para converter fábrica desativada para produção de armas

7 set 2026 - 14h55
(atualizado às 15h17)
Resumo
Em meio a uma severa crise, a Volkswagen venderá sua fábrica em Osnabrück para o estado da Baixa Saxônia e o grupo Aurelius Capital, permitindo que a israelense Rafael a converta para a produção de armas a partir de 2027. A medida busca manter 1,2 mil empregos e contornar atritos com o Catar, importante acionista da montadora que não reconhece Israel. O acordo reflete a reestruturação da empresa alemã e a crescente aproximação entre o setor automotivo e a indústria de defesa europeia.

Montadora vai vender uma de suas plantas em processo de desativação na Alemanha para autoridades estaduais e grupo de investimentos, que em seguida pretendem atuar com firma israelense responsável pelo Domo de Ferro.A Volkswagen anunciou nesta segunda-feira (07/09) que uma de suas fábricas na Alemanha, que terá sua produção de automóveis encerrada, será vendida e convertida para a fabricação de armas produzidas por uma empresa israelense.

Fechamento da unidade da VW em Osnabrück é parte do plano para sanar a empresa
Fechamento da unidade da VW em Osnabrück é parte do plano para sanar a empresa
Foto: DW / Deutsche Welle

A medida faz parte de uma ampla reestruturação na maior fabricante de automóveis da Europa, que atravessa uma grave crise. A empresa anunciou recentemente o maior plano de demissões da história da indústria automotiva global, enquanto se vê pressionada pela concorrência chinesa, tarifas de importação dos Estados Unidos e a baixa demanda dos consumidores por veículos elétricos.

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O anúncio também representa a mais recente parceria entre uma automobilística alemã e o setor de defesa - um mercado em expansão à medida que vários países reforçam suas Forças Armadas em meio à ameaça cada vez maior representada por conflitos e guerras, em um cenário internacional cada vez mais instável.

O acordo ainda não constitui uma venda definitiva, mas visa estabelecer as bases para as próximas etapas, incluindo a definição de responsabilidades, a determinação da estrutura e a preparação para a transição.

Domo de Ferro e Iron Beam

A fábrica da VW em Osnabrück, no noroeste da Alemanha, será vendida para a empresa de investimentos Aurelius Capital, sediada em Tel Aviv, e para o estado alemão da Baixa Saxônia - um importante acionista da VW -, para desenvolver um projeto inicial de defesa para a empresa israelense Rafael Advanced Defence Systems. A produção de automóveis na unidade será encerrada em 2027.

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A Rafael fabricante de sistemas de defesa aérea, mísseis guiados e sistemas de guerra eletrônica, é conhecida pelo Domo de Ferro, o sistema de defesa antiaérea utilizado por Israel.

A empresa também produz o Iron Beam, uma arma a laser projetada para interceptar alvos aéreos. Além disso, fornece o sistema de proteção ativa Trophy, capaz de destruir mísseis e armas antitanque, utilizado nos tanques de guerra Leopard, fabricados na Alemanha.

Sistemas de defesa antiaérea

"Com o acordo de hoje, damos um passo importante para abrir um novo futuro industrial para o local", disse o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, assegurando que a empresa "assume sua responsabilidade em relação a Osnabrück".

O acordo garantirá a preservação de pelo menos 1,2 mil dos 1,8 mil empregos na fábrica, segundo o conselho de trabalhadores da VW, após a decisão tomada pela empresa, em 2024, de encerrar a produção de veículos em Osnabrück até 2027.

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O projeto com a Rafael estará centrado na possível fabricação de sitemas de defesa aérea e componentes voltados para a Alemanha e outros países europeus, informou a montadora, sem fornecer mais detalhes. O valor da venda também não foi divulgado.

"Estamos construindo uma relação industrial de longo prazo com nossos parceiros alemães, com o objetivo de que a tecnologia seja totalmente produzida na Alemanha, para proteger a Alemanha e a Europa", disse Yoav Tourgeman, presidente e CEO da Rafael.

A unidade de Osnabrück, com 125 anos de história, produz atualmente os veículos T-Roc Cabriolet, bem como os modelos Cayman e Boxster para a Porsche, empresa controlada pelo grupo Volkswagen.

Sindicato: VW "não está isenta" de responsabilidade

O futuro a longo prazo de outras quatro fábricas alemãs do grupo VW permanece incerto, enquanto a empresa avança sua estratégia de reduzir custos.

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Na semana passada, a direção e os sindicatos concordaram em avaliar "usos alternativos" para essas unidades, ao mesmo tempo em que aprovaram a redução de mais 50 mil postos de trabalho, elevando para 100 mil o total de vagas a serem eliminadas no grupo nos próximos anos.

Até o momento, a gigante automotiva - que engloba dez marcas, incluindo a Audi e a Seat - conseguiu evitar o fechamento de grandes fábricas em seu país de origem ao longo de seus 89 anos de história.

Ao comentar o acordo, Christiane Benner, membro do conselho de supervisão da VW e .

"A medida de hoje abre oportunidades para a unidade, mas não exime a Volkswagen da responsabilidade de criar perspectivas sólidas também para os funcionários restantes", disse Benner.

VW evita polêmica ao não negociar diretamente com Israel

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A venda da fábrica para o estado da Baixa Saxônia e para a Aurelius Capital ajuda a VW a evitar a questão politicamente delicada de negociar diretamente com uma empresa de defesa israelense. O Catar, cujo fundo soberano é o terceiro maior acionista da automobilística alemã, não reconhece o Estado de Israel.

O anúncio é a mais recente parceria entre os setores automotivo e de defesa. Em junho, a Mercedes-Benz informou ter fechado um acordo com a fabricante de drones Tytan Technologies para adaptar algumas de suas vans para operações móveis de defesa contra drones.

Segundo relatos, a Mercedes também manteve conversas com a KNDS - fabricante franco-alemã de tanques e armamentos - sobre a possibilidade de produzir veículos blindados para transporte de pessoal em uma fábrica da empresa.

rc (Reuters, DPA)

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