Departamento de Estado confirma soltura de presos políticos sem divulgar identidades ou quantos são. Total divulgado por Caracas é contestado por ONGs e oposição.O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (13/01) que o governo da Venezuela libertou vários cidadãos americanos que estavam presos no país sul-americano. A libertação foi chamada de "um passo importante na direção correta" num comunicado do Departamento de Estado dos EUA.
O governo dos EUA não confirmou a quantidade de americanos que foram libertados, assim como também não compartilhou detalhes das solturas, a identidade das pessoas ou as razões pelas quais estavam detidas. Alguns veículos de imprensa americanos, como a emissora de TV CNN, afirmaram que são ao menos quatro os americanos libertados.
Na segunda-feira autoridades da Venezuela haviam afirmado terem soltado mais 116 presos políticos, elevando o total para 400, mas organizações de direitos humanos contestaram esses números.
Muitas dos presos estavam detidos desde que participaram das manifestações contra o resultado das eleições venezuelanas de 2024, nas quais Nicolás Maduro foi declarado vencedor. O líder chavista foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro.
No último domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que cancelou uma segunda onda de ataques à Venezuela devido à informação de que os primeiros detidos estavam sendo libertos.
"Eu espero que esses prisioneiros lembrem a sorte que tiveram de os EUA terem feito o que deveria ser feito", afirmou ele no X.
Ainda não está claro quantos americanos deixaram a prisão na primeira rodada de libertação de presos políticos desde que a chavista Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Venezuela.
ONGs criticam falta de transparência
O governo de Rodríguez afirmou que cerca de 400 presos já deixaram o cárcere desde 2024, sendo 116 nesta semana. Contudo, não divulgou uma lista de nomes nem apresentou evidências que sustentem esse número.
Grupos de direitos humanos, familiares de detidos e partidos políticos discordam desse número, que dizem ter sido inflado pelo gabinete de Rodríguez. Eles criticam a falta de transparência do governo sobre as libertações.
A ONG venezuelana Foro Penal diz que conseguiu confirmar 56 solturas desde segunda-feira, enquanto a aliança opositora Plataforma Unitária Democrática contabilizou 76. Entre os libertos há também cidadãos espanhóis e italianos.
O presidente do Parlamento venezuelano, o chavista Jorge Rodríguez, assegurou nesta terça-feira que mais de 400 pessoas já foram beneficiadas.
No cálculo, o parlamentar, que é irmão de Delcy Rodríguez, considera a soltura de 160 pessoas em dezembro de 2024, 99 no Natal de 2025, 88 no começo de janeiro de 2026 e 116 nesta segunda-feira.
O deputado assegurou que a libertação de presos continuará como parte de um gesto unilateral do governo. Em julho passado, por exemplo, o governo de Maduro soltou dez cidadãos dos Estados Unidos que estavam presos na Venezuela, em troca de receber dezenas de migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos.
Até domingo, o Foro Penal contabilizava pouco mais de 800 presos políticos na Venezuela.
Libertação "imediata" e "completa"
Líderes oposicionistas como María Corina Machado e Edmundo González Urrutia também denunciaram que a "libertação massiva" de presos "não está sendo realizada nos termos anunciados".
Em comunicado, afirmaram que "a cifra de 116 excarcerados, divulgada pelo regime na segunda-feira, não corresponde à realidade".
Familiares voltaram a se reunir do lado de fora de várias prisões exigindo a saída de seus parentes, algo que também foi pedido por ativistas venezuelanos e por pessoas próximas a presos políticos que se concentraram na tarde desta terça-feira na Universidade Central da Venezuela, em Caracas.
Em outro gesto aos EUA, Delcy Rodríguez derrubou o veto ao uso da rede social X na Venezuela. Ela havia sido suspensa por Maduro em agosto de 2024.
"Retomamos contato por essa via. A Venezuela segue de pé, com fortaleza e consciência histórica. Sigamos unidos, avançando pela tranquilidade econômica, pela justiça social e pelo Estado de bem-estar em que merecemos nos encontrar!", escreveu Rodríguez no X. A conta de Maduro na plataforma também foi reativada.
gq/as (Efe, AFP, OTS)