Venezuela começa a libertar cidadãos americanos detidos

14 jan 2026 - 07h51

Departamento de Estado confirma soltura de presos políticos sem divulgar identidades ou quantos são. Total divulgado por Caracas é contestado por ONGs e oposição.O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (13/01) que o governo da Venezuela libertou vários cidadãos americanos que estavam presos no país sul-americano. A libertação foi chamada de "um passo importante na direção correta" num comunicado do Departamento de Estado dos EUA.

Familiares pressionam governo chavista para libertar presos políticos
Familiares pressionam governo chavista para libertar presos políticos
Foto: DW / Deutsche Welle

O governo dos EUA não confirmou a quantidade de americanos que foram libertados, assim como também não compartilhou detalhes das solturas, a identidade das pessoas ou as razões pelas quais estavam detidas. Alguns veículos de imprensa americanos, como a emissora de TV CNN, afirmaram que são ao menos quatro os americanos libertados.

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Na segunda-feira autoridades da Venezuela haviam afirmado terem soltado mais 116 presos políticos, elevando o total para 400, mas organizações de direitos humanos contestaram esses números.

Muitas dos presos estavam detidos desde que participaram das manifestações contra o resultado das eleições venezuelanas de 2024, nas quais Nicolás Maduro foi declarado vencedor. O líder chavista foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro.

No último domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que cancelou uma segunda onda de ataques à Venezuela devido à informação de que os primeiros detidos estavam sendo libertos.

"Eu espero que esses prisioneiros lembrem a sorte que tiveram de os EUA terem feito o que deveria ser feito", afirmou ele no X.

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Ainda não está claro quantos americanos deixaram a prisão na primeira rodada de libertação de presos políticos desde que a chavista Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Venezuela.

ONGs criticam falta de transparência

O governo de Rodríguez afirmou que cerca de 400 presos já deixaram o cárcere desde 2024, sendo 116 nesta semana. Contudo, não divulgou uma lista de nomes nem apresentou evidências que sustentem esse número.

Grupos de direitos humanos, familiares de detidos e partidos políticos discordam desse número, que dizem ter sido inflado pelo gabinete de Rodríguez. Eles criticam a falta de transparência do governo sobre as libertações.

A ONG venezuelana Foro Penal diz que conseguiu confirmar 56 solturas desde segunda-feira, enquanto a aliança opositora Plataforma Unitária Democrática contabilizou 76. Entre os libertos há também cidadãos espanhóis e italianos.

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O presidente do Parlamento venezuelano, o chavista Jorge Rodríguez, assegurou nesta terça-feira que mais de 400 pessoas já foram beneficiadas.

No cálculo, o parlamentar, que é irmão de Delcy Rodríguez, considera a soltura de 160 pessoas em dezembro de 2024, 99 no Natal de 2025, 88 no começo de janeiro de 2026 e 116 nesta segunda-feira.

O deputado assegurou que a libertação de presos continuará como parte de um gesto unilateral do governo. Em julho passado, por exemplo, o governo de Maduro soltou dez cidadãos dos Estados Unidos que estavam presos na Venezuela, em troca de receber dezenas de migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos.

Até domingo, o Foro Penal contabilizava pouco mais de 800 presos políticos na Venezuela.

Libertação "imediata" e "completa"

Líderes oposicionistas como María Corina Machado e Edmundo González Urrutia também denunciaram que a "libertação massiva" de presos "não está sendo realizada nos termos anunciados".

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Em comunicado, afirmaram que "a cifra de 116 excarcerados, divulgada pelo regime na segunda-feira, não corresponde à realidade".

Familiares voltaram a se reunir do lado de fora de várias prisões exigindo a saída de seus parentes, algo que também foi pedido por ativistas venezuelanos e por pessoas próximas a presos políticos que se concentraram na tarde desta terça-feira na Universidade Central da Venezuela, em Caracas.

Em outro gesto aos EUA, Delcy Rodríguez derrubou o veto ao uso da rede social X na Venezuela. Ela havia sido suspensa por Maduro em agosto de 2024.

"Retomamos contato por essa via. A Venezuela segue de pé, com fortaleza e consciência histórica. Sigamos unidos, avançando pela tranquilidade econômica, pela justiça social e pelo Estado de bem-estar em que merecemos nos encontrar!", escreveu Rodríguez no X. A conta de Maduro na plataforma também foi reativada.

gq/as (Efe, AFP, OTS)

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