Ao menos 28% dos imigrantes obrigados a deixar o bloco retornaram aos seus países de origem. Para Comissário europeu de Migração, índice "não é satisfatório".A União Europeia atingiu seu maior índice de deportação de imigrantes desta década no ano passado, afirmou o comissário europeu de Migração, Magnus Brunner, ao jornal alemão Welt am Sonntag.
No ano passado, mais de 491 mil pessoas receberam ordens para deixar a UE, e cerca de 135 mil foram efetivamente deportadas, explicou Brunner. A taxa de retorno, de 28%, é bastante superior à observada em 2022, por exemplo, de 16%.
O aumento das deportações se deve, entre outros fatores, à atuação mais incisiva dos 27 países do bloco em políticas anti-imigração, além da melhoria nos sistemas de informação. Para Brunner, porém, político conservador austríaco, o número de retornos registrados "ainda não é satisfatório".
Os Estados-membros da UE ainda precisam decidir sobre a adoção de novas regras, que deve influenciar ainda mais os números. "As regras antigas para o retorno de migrantes irregulares à UE simplesmente não funcionam de forma adequada", afirmou Brunner.
Por isso, segundo ele, é fundamental que o novo regulamento de retorno — apresentado pela Comissão Europeia ao Parlamento Europeu e aos 27 Estados-membros em março do ano passado — seja aprovado. O texto estabelece "regras mais rígidas para infratores, obrigações claras e vinculantes para pessoas com ordens de deportação e maior eficiência na cooperação entre os Estados-membros", argumentou o comissário.
O novo regulamento de retorno prevê, entre outras medidas, que pessoas que não obtêm proteção e precisam deixar a UE possam permanecer detidas por períodos mais longos enquanto aguardam a deportação. O texto também autoriza a transferência de solicitantes de asilo para os chamados centros de retorno em países fora do bloco.
O Parlamento Europeu já aprovou o endurecimento da política de asilo da UE. O projeto foi liderado pelo grupo parlamentar conservador, que inclui os partidos alemães CDU e CSU, e contou com o apoio de siglas de direita, como a AfD, além de outras siglas conservadoras e populistas europeias. Essa cooperação gerou fortes críticas na Alemanha. A votação entre os Estados-membros da UE, no entanto, ainda não ocorreu.
Política migratória como moeda de troca
Brunner ressaltou que reformas internas, por si só, não bastam. Segundo ele, também é necessária maior coerência na política externa do bloco. "Países terceiros precisam aceitar de volta seus próprios cidadãos — e estamos usando estrategicamente nosso poder de influência para alcançar esse objetivo. No futuro, a política de vistos, o comércio e a ajuda ao desenvolvimento estarão mais estreitamente vinculados à cooperação em questões migratórias."
Ao mesmo tempo, o número de imigrantes residentes na União Europeia também alcançou um recorde de 64,2 milhões em 2025, cerca de 2,1 milhões a mais do que no ano anterior, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (22/04) pelo Centro de Pesquisa e Análise sobre Migração, vinculado à fundação RFBerlin.
O contingente contrasta com os 40 milhões de imigrantes registrados em 2010, de acordo com o estudo, que reúne dados do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) e da Agência da ONU para Refugiados.
gq (DW, OTS)