EUA, Dinamarca e Groenlândia anunciaram um acordo de segurança para o Ártico que amplia a presença militar americana na ilha com direitos de sobrevoo e veto a tropas e investimentos de países fora da OTAN. Donald Trump declarou que o pacto concede "controle permanente" aos EUA. Contudo, Dinamarca e Groenlândia contestam a narrativa e enfatizam a manutenção de sua soberania e autodeterminação. Detalhes sobre o tamanho da presença militar permanecem indefinidos até a assinatura na ONU.
Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia anunciaram um acordo voltado à segurança da ilha e da região do Ártico. O entendimento prevê uma presença militar americana mais ampla no território que, de acordo com o presidente norte-americano Donald Trump, não terá prazo de validade. Entretanto, pontos importantes ainda não foram detalhados.
"Os Estados Unidos da América firmaram um Acordo com o Reino da Dinamarca e a Groenlândia, que concede aos Estados Unidos o controle permanente sobre a segurança e todas as demais necessidades na Groenlândia, atendendo completamente a TODAS as nossas inúmeras preocupações. Não haverá CUSTO algum para os Estados Unidos!", escreveu Trump na Truth Social.
"Sob minha orientação, trabalhamos com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para garantir que os Estados Unidos tenham PARA SEMPRE a capacidade total de fazer o que for necessário na Groenlândia para assegurar e defender a segurança da Groenlândia e dos Estados Unidos da América", acrescentou.
Dinamarca e Groenlândia destacam soberania
A interpretação de Copenhague e Nuuk, contudo, enfatiza outro aspecto do acordo. Os dois governos afirmam que o entendimento não altera a soberania sobre o território. Em uma publicação no Facebook, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou: "O acordo reconhece a soberania e a integridade territorial do nosso Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação."
"Esperamos que um período de incerteza dê lugar a um acordo vinculativo que fortaleça a segurança no Ártico e no Atlântico Norte e, consequentemente, a nossa segurança comum na OTAN e na Europa, respeitando sempre as linhas vermelhas do Reino", destacou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, em comunicado.
O que os EUA poderão fazer na ilha
Segundo as informações divulgadas, o acordo inclui acesso permanente, direitos relacionados à instalação de bases e direitos de sobrevoo para os Estados Unidos. O texto também pretende impedir que países de fora da OTAN instalem bases ou mantenham tropas na Groenlândia.
Além disso, prevê mecanismos para barrar investimentos considerados sensíveis. Trump afirmou ainda que nenhum adversário dos EUA poderá manter presença militar no território. A restrição também alcançaria determinados investimentos sem autorização americana.
Pontos ainda permanecem em aberto
Apesar do anúncio, detalhes relevantes ainda não foram divulgados. Entre eles estão o tamanho da futura presença militar dos EUA e o alcance exato da atuação de Washington em questões estratégicas da ilha. O acordo deve ser assinado durante a Assembleia Geral da ONU.
Até lá, uma diferença deve continuar no centro das discussões, já que Trump fala em "controle permanente". Dinamarca e Groenlândia, por outro lado, reforçam a preservação da soberania e da autodeterminação.