Um incêndio perto do aeroporto de Riade provocou atrasos e cancelamentos de voos na Arábia Saudita, após alertas de ameaça aérea e relatos de explosões na capital. O incidente ocorre em meio à escalada de ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, contra o reino saudita. O conflito regional, intensificado nos últimos meses, afeta a infraestrutura local e ameaça rotas marítimas estratégicas no Mar Vermelho, gerando crescentes impactos econômicos globais.
Bombeiros contiveram as chamas no reservatório, que exibia o logotipo da companhia nacional saudita. Fumaça preta e fogo foram vistos na região do aeroporto, disseram à AFP dois moradores da capital.
O site especializado Flightradar24 registrou "perturbações significativas" no tráfego aéreo e classificou o aeroporto no nível máximo de interrupção, com voos cancelados ou atrasados.
Na madrugada deste sábado, a Arábia Saudita emitiu alertas de risco de ataque para a capital. Pouco depois, fortes explosões foram ouvidas em diferentes partes da cidade.
Nos últimos dias, o reino tem sido alvo de uma escalada de ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla grande parte do Iêmen. Até então, as ações se concentravam principalmente em instalações petrolíferas e bases militares no sul do país e na costa do Mar Vermelho.
O alerta de uma "ameaça aérea hostil" foi enviado aos celulares dos moradores por volta das 3h. As autoridades não informaram a origem do incidente nem divulgaram um balanço de vítimas ou danos.
Impacto econômico
A capital saudita já havia sido atingida nos últimos meses pela guerra regional desencadeada após os confrontos entre Israel, Estados Unidos e Irã. Em resposta aos ataques dos houthis, Riade intensificou os bombardeios contra áreas controladas pelo grupo no Iêmen, sem conseguir conter seu avanço.
Desde o início de setembro, os houthis ampliaram seu controle sobre a costa iemenita do Mar Vermelho e reforçaram sua presença no estratégico estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial.
A escalada do conflito aumenta a pressão sobre a economia global, já afetada pelas tensões no Oriente Médio e pelas ameaças às principais rotas de navegação da região. Segundo a empresa de monitoramento marítimo Kpler, o tráfego de embarcações sauditas pelo estreito de Bab el-Mandeb caiu bastante nos últimos dias.
A guerra no Iêmen começou em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, provocando uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte. A trégua firmada em 2022 foi rompida em julho.
De acordo com a ONU, pelo menos 112 mil pessoas foram deslocadas dentro do Iêmen desde a retomada dos combates, enquanto cerca de 3 mil buscaram refúgio no Djibuti.
Com AFP