Moscou enfrentou fortes ciberataques contra seu sistema de votação eletrônica durante as eleições legislativas russas, as primeiras desde a invasão da Ucrânia. O pleito, que renova as 450 cadeiras da Duma e inclui áreas ocupadas, tem resultado previsível devido à repressão e à exclusão de legendas contrárias à guerra. Marcada pela indiferença popular e baixo comparecimento presencial, a disputa limita-se a partidos alinhados ao Kremlin, enquanto o governo garante manter o processo eleitoral seguro.
Estas são as primeiras eleições legislativas desde o início da ofensiva militar de Moscou contra a Ucrânia, em 2022. A votação vai renovar as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. Os territórios do leste da Ucrânia, ocupados e anexados pela Rússia, também participam do processo eleitoral.
O resultado gera poucas dúvidas em um país em que a dissidência é severamente reprimida pelas autoridades e onde o único partido contrário à guerra, o Yabloko, foi excluído da disputa.
Os eleitores de Moscou e de cerca de 30 outras regiões podem votar pela internet. Na capital, "durante toda a noite, literalmente sem parar, o sistema eleitoral sofreu um ataque cibernético muito poderoso", declarou neste sábado a presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, citada pelas agências de notícias russas.
Segundo ela, o ataque "massivo e intenso" continua. Ainda assim, "a situação está sob controle e a segurança do sistema permite manter a votação ininterrupta", garantiu Pamfilova.
Oposição fora da disputa
Apenas partidos que apoiam, em diferentes graus, Vladimir Putin e a continuidade da guerra na Ucrânia foram autorizados a participar da eleição. Entre eles, estão os comunistas do KPRF, os nacionalistas do LDPR, os conservadores do Rússia Justa e os liberais do Novas Pessoas.
No primeiro dia de votação, a participação foi baixa nas seções eleitorais de Moscou. Além de a sexta-feira ser um dia útil, os moradores da capital podiam optar pelo voto eletrônico. A modalidade foi promovida pelo próprio Vladimir Putin, que foi filmado votando pelo computador em seu gabinete. Entre os eleitores que compareceram presencialmente às urnas, havia muitos aposentados.
Ao deixar as seções eleitorais, alguns disseram à RFI que compareceram principalmente para cumprir seu dever cívico. Com humor, um deles afirmou ter votado na tentativa de corrigir erros cometidos desde o colapso da União Soviética. Outra eleitora declarou que sua principal expectativa é o fim da guerra.
A campanha transcorreu em meio à relativa indiferença dos eleitores, ao menos na capital. Os moradores pareciam mais preocupados com questões do cotidiano do que interessados em debater a situação política do país.
De modo geral, muitos consideram que sua opinião tem influência limitada e que essas eleições servem sobretudo aos interesses do poder. A votação permite reequilibrar as forças na Duma entre os partidos da chamada oposição sistêmica, ou seja, aqueles autorizados pelo Kremlin a participar do jogo político.
Os primeiros resultados são esperados logo após o fechamento das urnas, na noite de domingo.
RFI e AFP