Sem apresentar provas, Donald Trump declarou que a eleição brasileira "pareceu fraudada", criticando a apuração e a extensão do horário de votação, mas ressaltou que gosta e se dá bem com o presidente eleito Lula. O petista venceu Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos válidos, em resultado já aceito pelo PL. Os EUA não parabenizaram o vencedor de imediato, e as falas do líder norte-americano foram prontamente rebatidas pelo vice Geraldo Alckmin e pelo assessor Celso Amorim.
Sem apresentar provas, líder dos EUA disse que eleição no Brasil "pareceu fraudada". Casa Branca favorecia candidatura de Flávio Bolsonaro, mas Trump destaca que "se dá bem com Lula".O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (26/10) achar que a eleição brasileira "parece fraudada", mas que "gosta" do presidente Lula e se "dá bem com ele"
Questionado por repórteres sobre sua avaliação do pleito, realizado no domingo (25/10) e que terminou com a vitória do presidente Lula (PT) sobre o rival Flávio Bolsonaro (PL), Trump disse que foi "terrível" e que "achou uma situação muito ruim".
"Passou uma impressão muito ruim. A eleição, a maneira como os votos foram contabilizados, sabe? Com a prorrogação do horário de votação, foi muito estranho", disse Trump, em referência à prorrogação por duas horas do período de votação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
"Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim", acrescentou Trump, sem apresentar qualquer prova ou indício de fraude.
Apesar de Trump não ter endossado nominalmente qualquer candidato no pleito, a Casa Branca transparecia que tinha preferência por Flávio Bolsonaro. No entanto, o governo americano evitou um apoio explícito ao bolsonarismo, temendo que pudesse acidentalmente beneficiar a candidatura de Lula, que adotou um tom de "defesa da soberania" ao longo da campanha.
Apesar das declarações sobre o pleito brasileiro, Trump destacou que se "dá bem com Lula". "Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a forma como a apuração foi feita passou uma impressão muito ruim", disse Trump.
EUA ainda não reconheceram resultado
Até a noite desta segunda-feira, os Estados Unidos não haviam parabenizado Lula oficialmente pelo resultado da eleição presidencial brasileira, em contraste com países como Alemanha, França, China, Espanha e Portugal. Até mesmo líderes de países com governos à direita da América Latina, como o Peru, o Chile e a Colômbia, reconheceram o resultado. Uma exceção foi a Argentina, comandada por Javier Milei, que não se pronunciou. Durante a campanha, Milei havia declarado apoio a Flávio.
Lula derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial ao receber 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. A vantagem foi de quase 4,4 milhões de votos. Já os votos registrados durante o período de prorrogação da eleição no domingo mal superaram a marca de 34 mil, ou cerca de 0,03% do total registrado em todo segundo turno.
No momento, até mesmo aliados de Flávio admitiram que há pouco espaço de manobra para contestar o resultado. Flávio também já indicou que não pretende insistir num pedido de anulação com base na prorrogação de duas horas, e que em vez disso pretende investir numa ação de cassação da chapa de Lula acusando o presidente de abuso de poder econômico, um procedimento praticamente rotineiro entre candidatos derrotados no Brasil. Nesta segunda-feira, o próprio partido de Flávio, o PL, reconheceu o resultado.
Celso Amorim critica os EUA
Após as declarações de Trump, o assessor de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou a atitude do líder dos EUA. "Ele [Trump] está mal-informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta", afirmou Amorim ao portal G1, em referência à empresa americana dona do Facebook e Instagram.
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin (PSB), também rebateu à fala do presidente dos EUA.
"Totalmente equivocada, né? Primeiro, não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial pra dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo pro mundo. De urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde eleição, é o povo que decide. Mas o caminho é o caminho da negociação", disse Alckmin.
jps/le (ots)
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