Rússia usa relíquia medieval para motivar tropas na Ucrânia

11 set 2026 - 08h01
Resumo
Em apoio à guerra de Vladimir Putin, a Igreja Ortodoxa Russa enviou à Ucrânia fragmentos da mão do príncipe medieval Demétrio Donskoi, herói de uma histórica vitória contra os mongóis. A relíquia percorrerá mais de mil quilômetros na linha de frente para fortalecer espiritualmente as tropas e motivá-las na invasão. A iniciativa começou na região ocupada de Donetsk, mas críticos acusam a liderança religiosa de violar protocolos com a exumação inédita para atender aos interesses políticos do Kremlin.

Restos mortais de príncipe venerado no país passarão por peregrinação por mais de mil quilômetros no front. Relíquia ajudaria a "fortalecer espiritualmente" as tropas.No quinto ano da guerra na Ucrânia, a Igreja Ortodoxa Russa recorreu a um símbolo de uma batalha antiga para tentar "fortalecer espiritualmente" as tropas russas no conflito com o país vizinho, o que, segundo a entidade religiosa, os ajudaria a alcançar a vitória.

Putin visitou relíquia antes de ela ser enviada ao front na Ucrânia
Putin visitou relíquia antes de ela ser enviada ao front na Ucrânia
Foto: DW / Deutsche Welle

A instituição, em demonstração de apoio à guerra do presidente Vladimir Putin, enviou à linha de frente uma relíquia contendo fragmentos da mão direita do príncipe medieval Demétrio Donskoi. A escolha da relíquia não foi por acaso: Donskoi, que morreu em 1389, é reverenciado por nacionalistas russos por derrotar a Horda Dourada mongol na Batalha de Culicovo. Ele foi canonizado em 1988.

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O sarcófago do príncipe foi aberto neste ano durante trabalhos de restauração na Catedral do Arcanjo, no interior do Kremlin de Moscou. Putin inspecionou pessoalmente, em agosto, o que especialistas afirmaram serem os restos mortais preservados do guerreiro.

Os fragmentos, guardados em um pequeno relicário ornamentado sob vidro reforçado, serão exibidos às tropas russas ao longo da linha de frente por mais de mil quilômetros, de acordo com a Igreja, em uma espécie de peregrinação.

Em comunicado, a instituição religiosa declarou que o "santo comandante está indo para onde o destino da pátria está sendo decidido hoje, para que ele possa, invisivelmente, ocupar seu lugar nas mesmas fileiras de batalha que nossos defensores".

Em outros lugares, comandantes apresentaram os restos mortais de Donskoi como prova de que Deus está do lado da Rússia.

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A relíquia foi levada pela primeira vez nesta terça-feira (09/09) ao memorial de guerra de Saur-Mogila, na região de Donetsk, na Ucrânia, uma das regiões ucranianas que Putin declarou ter incorporado à Rússia em 2022, medida rejeitada por Kiev. Lá, membros do alto clero ortodoxo realizaram uma cerimônia religiosa ao lado de representantes das forças armadas russas.

Apoio religioso

A jornada da relíquia é o exemplo mais recente de adesão da Igreja Ortodoxa Russa à guerra de Putin na Ucrânia. A instituição religiosa se envolveu profundamente no esforço de guerra russo desde o início do conflito em fevereiro de 2022.

Padres foram enviados a unidades militares e territórios ocupados, enquanto igrejas em toda a Rússia receberam instruções para recitar orações pedindo a Deus que conceda a vitória.

Mas o uso da relíquia para motivar as tropas russas gerou opiniões contrárias. Críticos acusam a igreja de romper com protocolos religiosos ao abrir o túmulo par agradar ao Kremlin. O local do sepultamento do príncipe era conhecido há muito tempo, mas a instituição não havia feito nenhuma tentativa de exumar seus restos mortais após sua canonização em 1988.

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Para Alexander Zanemonets, um padre ortodoxo e historiador radicado fora da Rússia, a decisão de desenterrar as relíquias quase quatro décadas após a canonização de Donskoi parece ter sido motivada por exigências do patriotismo em tempos de guerra.

Zanemonets afirmou ao jornal britânico The Guardian que a representação de Donskoi como defensor da pátria se encaixava perfeitamente na insistência do Kremlin de que a Rússia estava se defendendo, e não conduzindo uma guerra de agressão contra seu vizinho.

lm/cn (Reuters, ots)

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