Um levantamento internacional realizado pela Resmed em março de 2026, em virtude do Dia Mundial do Sono, indica que a maior parte da população reconhece o descanso como um pilar fundamental para a longevidade. O estudo apresenta o conceito de "paradoxo do sono", termo utilizado para descrever a distância entre a ciência da importância de dormir e a execução de medidas para assegurar a qualidade desse repouso.
De acordo com os indicadores coletados, 84% dos participantes em nível global afirmam compreender que a regularidade e a qualidade do sono contribuem para a extensão da vida saudável. Para 53% dos entrevistados, o sono adequado é o fator principal para o bem-estar, superando a alimentação e os exercícios físicos na escala de prioridades teóricas.
Entretanto, o levantamento aponta que 34% dos indivíduos não recorreram a profissionais de saúde para tratar questões relacionadas ao tema. Os dados revelam que mais de 50% dos entrevistados dormem de forma satisfatória em quatro ou menos dias por semana. Além disso, 74% relatam despertar sem a sensação de restauração física em diversas ocasiões no mês.
O estudo identifica que o estresse e a ansiedade são as causas predominantes de interrupções no descanso. Os participantes listaram como elementos prejudiciais ao sono:
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obrigações familiares e pressões financeiras;
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demandas de trabalho e preocupações com a saúde.
A carência de repouso está associada, segundo os relatos, ao aumento da irritabilidade e dos níveis de estresse. Em contrapartida, o descanso pleno é relacionado a maiores índices de energia, concentração e estabilidade emocional.
"Os dados mostram que estamos em um ponto de virada na forma como as pessoas veem a saúde do sono", diz Sofia Furlan, Fisioterapeuta Respiratória e do Sono da Resmed.
No contexto dos relacionamentos, o Brasil apresenta um índice de 75% de pessoas que dividem a cama com parceiros todas as noites, enquanto a média global é de 56%. Entre os que compartilham o dormitório, 80% mencionam interrupções causadas pelo acompanhante. As causas citadas incluem:
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ronco ou respiração acentuada (36%);
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despertares noturnos do parceiro (25%);
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uso de aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, no ambiente (18%).
Apesar das interferências, a maioria dos entrevistados associa o ato de dormir acompanhado a uma melhoria na conexão emocional e na comunicação do casal.
O uso de ferramentas tecnológicas para acompanhamento do sono apresentou crescimento. O índice de adoção de dispositivos vestíveis (wearables) subiu de 16% em 2025 para 53% em 2026. Atualmente, 39% dos usuários monitoram seus dados de sono semanalmente por meio de relógios ou anéis inteligentes.
Dentre os usuários dessas tecnologias, 93% afirmaram ter realizado alterações no estilo de vida, como ajuste de horários, aumento da hidratação e prática de atividades físicas. Além disso, 60% dos portadores desses dispositivos declararam que buscariam auxílio médico caso os aparelhos indicassem riscos como apneia do sono ou problemas cardiovasculares.