O SBT confirmou oficialmente nesta sexta-feira (13) que considera encerrado o episódio envolvendo o apresentador Ratinho e a deputada federal Erika Hilton. A emissora paulista optou por uma abordagem reservada para lidar com o conflito que dominou as redes sociais nos últimos dias, afirmando que a questão foi resolvida por meio de diálogos internos. Embora o canal não tenha revelado publicamente quais sanções ou orientações foram aplicadas ao comunicador, a nota oficial busca transmitir uma imagem de estabilidade e superação do impasse que gerou críticas contundentes à linha editorial do programa.
Entenda a resolução interna adotada pelo SBT
Em comunicado enviado à imprensa, a rede de televisão destacou a importância do apresentador para a estrutura da casa, reforçando que ele permanece como uma figura central na estratégia da empresa. A nota diz textualmente que "Ratinho é um dos principais apresentadores e parceiros do SBT. O assunto foi tratado internamente com todos os envolvidos no episódio e já solucionado". Esse posicionamento reflete a complexidade da relação entre as partes, já que o modelo de trabalho adotado desde 2009 não segue os padrões tradicionais de emprego, mas sim uma sociedade comercial em que custos e lucros são divididos entre o apresentador e a família Abravanel.
A trajetória política de Erika Hilton
Erika Hilton é uma das figuras políticas mais influentes da atualidade, ocupando o cargo de deputada federal pelo PSOL de São Paulo. Ela fez história ao ser eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, uma posição que simboliza sua luta por direitos civis e representatividade. Sua trajetória é marcada por uma votação expressiva e pela defesa constante de pautas voltadas à equidade de gênero e proteção de minorias, o que a coloca frequentemente em embates ideológicos no Congresso Nacional.
A origem da crise ocorreu quando Ratinho utilizou seu espaço em rede nacional para questionar a nomeação da deputada para a referida comissão parlamentar. Durante a exibição de seu programa, ele manifestou opiniões sobre a identidade de gênero da parlamentar e sua aptidão para o posto. Ele alegou que ela não era digna do cargo por não ter nascido mulher. O apresentador chegou a declarar frases que geraram revolta imediata em diversos setores da sociedade civil. "Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans", afirmou o comunicador em um dos momentos da transmissão.
Consequências jurídicas e contratuais do caso
A fala prosseguiu com declarações que associavam a identidade feminina a processos biológicos específicos. Ratinho acrescentou que "não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo… Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias". Ele ainda questionou a experiência da deputada em relação à maternidade ao perguntar se "vocês pensam que a dor do parto é fácil?". O encerramento de sua crítica focou na ideia de que as políticas de inclusão estariam sofrendo um excesso. "Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Estão exagerando", disse ele na ocasião.
Como resposta direta às declarações, Erika Hilton acionou a justiça pedindo uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais. Além da esfera financeira, a deputada protocolou um pedido junto ao Ministério das Comunicações solicitando a suspensão da atração televisiva por um período de 30 dias. No âmbito interno do SBT, embora Ratinho goze de prestígio e faça parte de um grupo de conselheiros que inclui nomes como César Filho e Celso Portiolli, o contrato de parceria prevê que ele é o responsável financeiro por eventuais condenações jurídicas decorrentes do conteúdo de seu programa, o que coloca o ônus das declarações sob sua inteira responsabilidade legal.