"Quando a gente acha que ela não evoluiria, ela nos prova o contrário": a história de Francielle e Maria Isabel

Série do Vakinha mostra histórias reais de mães que encontraram força onde a medicina enxergava limites "O que ela tem de linda e delicada, ela tem de forte

30 mai 2026 - 12h01

Série do Vakinha mostra histórias reais de mães que encontraram força onde a medicina enxergava limites

"O que ela tem de linda e delicada, ela tem de forte."

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É assim que Francielle descreve a filha Maria Isabel.

A pequena ainda nem completou dois anos de vida, mas já enfrentou desafios que muitos adultos jamais conhecerão. E, ao lado dela, esteve uma mãe que aprendeu a viver um dia de cada vez.

Francielle é a terceira personagem da série especial do Vakinha sobre maternidade, amor e superação. Histórias de mulheres que tiveram suas vidas transformadas pela condição dos filhos e descobriram uma força que não sabiam que existia.

Uma gravidez perfeita que terminou em uma corrida contra o tempo

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Ser mãe sempre fez parte dos planos de Francielle.

"Eu sempre sonhei em ser mãe. Sempre sonhei em constituir família. Isso era uma coisa que eu nunca tive dúvida."

A gravidez de Maria Isabel foi tranquila. Os exames estavam normais. Tudo indicava que seria uma gestação saudável.

Até o momento do parto.

Durante o nascimento, uma ruptura uterina provocou uma emergência grave. Em poucos minutos, a equipe médica precisou agir para salvar mãe e filha.

Quando acordou da cirurgia, Francielle recebeu a notícia que mudaria sua vida.

"Eu acordei sabendo que minha filha estava em estado gravíssimo e que a chance dela sobreviver era muito pequena."

O milagre que veio depois

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Os primeiros dias foram de angústia, espera e incerteza.

Maria Isabel passou cerca de um mês internada na UTI neonatal. Os médicos explicavam que, caso sobrevivesse, as consequências neurológicas poderiam ser severas.

Mas então algo aconteceu.

"Como um milagre, ela começou a reagir."

Aos poucos, a menina começou a responder aos estímulos, surpreendendo a equipe médica e a própria família.

Mesmo assim, as sequelas da falta de oxigênio durante o parto deixaram marcas profundas.

Hoje, Maria Isabel convive com paralisia cerebral tetraespástica, atraso global do desenvolvimento, dificuldades auditivas e visuais e depende de uma gastrostomia para se alimentar.

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Mas quem convive com ela aprendeu que prognósticos nem sempre contam toda a história.

A maternidade ensinou a viver o presente

Desde que a filha recebeu alta, a rotina da família passou a girar em torno de terapias, consultas e estímulos diários.

Existe um futuro que ninguém consegue prever.

E foi justamente essa incerteza que transformou a forma como Francielle enxerga a vida.

"Tento pensar no hoje. Porque, se a gente ficar pensando muito no amanhã, enlouquece."

A frase resume uma realidade comum a muitas famílias que convivem com condições neurológicas complexas: o amanhã existe, mas nem sempre pode ser planejado.

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Por isso, a mãe escolheu concentrar suas forças no que pode fazer agora.

Cada sessão de fisioterapia. Cada estímulo. Cada pequeno avanço.

Sonhar continua sendo parte do tratamento

Apesar dos desafios, Francielle não fala sobre limitações quando imagina o futuro da filha.

Ela fala sobre infância. Sobre escola. Sobre irmãos. Sobre bagunça.

"A gente sonha que ela possa ir para a escola, fazer bagunça com os manos."

Maria Isabel é a caçula da família e tem dois irmãos mais velhos, Bernardo e Antônio, que acompanham de perto sua trajetória.

Foto: Vakinha / Vakinha

E é justamente olhando para essas pequenas cenas do cotidiano que Francielle encontra esperança.

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Porque, segundo ela, a filha tem o hábito de surpreender.

"Quando a gente acha que ela não vai mais pra frente, ela vem e nos prova o contrário."

A força de quem ainda nem sabe o quanto é amada

Nos últimos meses, a história de Maria Isabel mobilizou milhares de pessoas por meio de uma Vakinha criada para custear um tratamento complementar com células-tronco.

Foi durante a campanha que Francielle teve uma das experiências mais emocionantes de toda a jornada.

"Eu comecei a chorar muito. Fiquei pensando: meu Deus, como minha filha é amada sem nem ser conhecida."

A frase talvez resuma não apenas a história de Maria Isabel, mas o espírito da série do Vakinha.

Porque, em todas essas histórias, existe algo em comum: mães que descobriram que o amor é capaz de criar redes invisíveis de apoio.

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E crianças que seguem ensinando, todos os dias, que esperança também pode ser uma forma de coragem.

"Ela avança. Ela nos surpreende."

E, por enquanto, isso é tudo o que Francielle precisa para continuar acreditando.

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