Primavera de 2026 deve ter chuva acima da média no Vale do Taquari

O principal elemento de grande escala associado ao comportamento climático previsto para a estação é o El Niño

23 set 2026 - 12h01
Resumo
Sob a influência de um forte El Niño, a primavera de 2026 no Vale do Taquari terá chuvas acima da média histórica e risco de temporais com granizo e ventanias. A previsão da Univates alerta para cheias no Rio Taquari e enxurradas devido a precipitações volumosas concentradas, com probabilidade de chuvas intensas aumentando até dezembro. As temperaturas sobem de forma gradual ao longo da estação, mas a variabilidade térmica permitirá episódios pontuais de frio tardio no início do período.

A primavera de 2026 deve ser marcada por precipitações acima do padrão climatológico e pelo aumento gradual das temperaturas no Vale do Taquari. A previsão climática elaborada pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Universidade do Vale do Taquari - Univates, divulgada hoje (23), aponta que o período, iniciado astronomicamente em 22 de setembro, será influenciado por um El Niño muito forte, com tendência de intensificação ao longo dos próximos meses.

Foto: Tuane Eggers / Porto Alegre 24 horas

O cenário indica maior atenção para episódios de chuva intensa, temporais e elevação dos níveis de rios e arroios, especialmente quando houver precipitações volumosas concentradas em curto intervalo de tempo.

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A estação se estende até 21 de dezembro e corresponde à transição entre o inverno e o verão. Nesse período, é esperado o aumento progressivo da duração dos dias e da incidência de radiação solar no Hemisfério Sul, o que contribui para a elevação das temperaturas. Apesar disso, a primavera mantém elevada variabilidade térmica, característica que pode produzir alternância entre períodos quentes e incursões de massas de ar frio, sobretudo nas primeiras semanas da estação.

Foto: Porto Alegre 24 horas

O El Niño

O principal elemento de grande escala associado ao comportamento climático previsto para a estação é o El Niño. Segundo o NIH, o fenômeno já está estabelecido e apresenta forte intensificação no Oceano Pacífico Equatorial. A análise considera informações divulgadas pelo Climate Prediction Center (CPC), da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), em setembro, além da atualização do International Research Institute for Climate and Society (IRI).

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Em agosto, o índice Niño 3.4 atingiu +1,8 °C, enquanto outras regiões do Pacífico Equatorial apresentaram anomalias ainda mais elevadas. Em meados de setembro, o índice chegou a aproximadamente +3,0 °C, e as projeções indicam a manutenção do El Niño durante os períodos que abrangem a primavera e o verão de 2026/2027. O fenômeno, historicamente associado ao favorecimento de episódios de precipitação mais frequentes ou volumosos na Região Sul, deverá atuar como um dos principais moduladores da circulação atmosférica durante a estação.

No entanto, a influência do El Niño não significa que a chuva ocorrerá de maneira uniforme. A distribuição das precipitações dependerá da atuação de diferentes sistemas meteorológicos, como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas convectivos. Por isso, períodos de menor precipitação poderão ser intercalados com episódios de chuva persistente ou de volumes elevados em intervalos relativamente curtos.

O regime de chuvas

As projeções do sistema multimodelo do Copernicus Climate Change Service (C3S/ECMWF) apresentam sinal consistente de maior probabilidade de precipitação no tercil superior da climatologia durante os três meses da primavera. Em outubro, o Vale do Taquari apresenta probabilidades em torno de 50% a 60% para volumes acima do padrão climatológico. Em novembro, o sinal se torna mais expressivo, com probabilidades que chegam aproximadamente a 70% a 100%. Em dezembro, a tendência de precipitação acima da climatologia permanece igualmente elevada.

Para o trimestre outubro, novembro e dezembro, a normal climatológica de precipitação registrada pela estação meteorológica da Univates, em Lajeado, é de 552,3 milímetros. O prognóstico conjunto elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) também aponta condições favoráveis à ocorrência de precipitação acima da média na Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul.

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A distribuição espacial das chuvas é um aspecto particularmente relevante para o Vale do Taquari. Volumes elevados registrados não apenas na região, mas também nas porções média e alta da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas, podem contribuir posteriormente para a elevação dos níveis do Rio Taquari nos municípios localizados a jusante. Assim, episódios de precipitação persistente ou de chuva intensa em curto período podem favorecer alagamentos, enxurradas e elevação dos níveis de rios e arroios, dependendo da distribuição das chuvas e das condições antecedentes da bacia.

Tempestades

A ocorrência de temporais também integra o cenário esperado para a estação. O aumento do calor e da disponibilidade de umidade, combinado à passagem de frentes frias e à formação de sistemas convectivos, pode favorecer episódios acompanhados de descargas elétricas, rajadas de vento e eventual queda de granizo. Dessa forma, a tendência de maior volume de precipitação não deve ser interpretada como uma sucessão contínua de dias chuvosos, mas como um cenário no qual aumenta a possibilidade de eventos de chuva mais expressivos intercalados por períodos de menor instabilidade.

Foto: Porto Alegre 24 horas

Temperatura

No comportamento das temperaturas, a previsão apresenta maior variação entre os meses. Para outubro, os modelos não indicam predominância clara entre os diferentes tercis da climatologia no Vale do Taquari. A tendência, portanto, é de temperaturas médias próximas do padrão histórico, sem sinal significativo de persistência de valores acima ou abaixo da climatologia.

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Em novembro, entretanto, surge maior probabilidade de temperaturas médias situadas no tercil superior da climatologia, com valores estimados entre 40% e 60%. Para dezembro, esse sinal se intensifica, chegando a aproximadamente 60% a 70% de probabilidade de temperaturas no tercil superior. O conjunto das projeções aponta, assim, para temperaturas próximas da climatologia em outubro, seguidas por aumento gradual da probabilidade de valores acima do padrão histórico em novembro e, principalmente, em dezembro.

Ainda assim, o aquecimento progressivo não elimina a possibilidade de períodos frios. No início da primavera, massas de ar frio associadas à passagem de sistemas frontais poderão provocar quedas temporárias e acentuadas das temperaturas. Esses episódios tendem a ser intercalados por períodos de aquecimento, especialmente antes da chegada de novas frentes frias, quando ventos do quadrante norte favorecem o transporte de ar mais quente para a região.

Mesmo em outubro e novembro, portanto, ainda poderão ocorrer episódios de frio tardio. Em incursões mais intensas de ar frio, temperaturas baixas podem ser registradas pontualmente nas áreas mais suscetíveis. A previsão também mantém a possibilidade de ocorrência de nevoeiros e neblinas durante a madrugada e as primeiras horas da manhã, sobretudo após episódios de precipitação e em períodos de maior estabilidade atmosférica.

Texto: Redação Univates

1) Projeções do sistema multimodelo do Copernicus Climate Change Service (C3S/ECMWF) apresentam probabilidade de volumes acima da média - Crédito - Divulgação

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2) A ocorrência de temporais também integra o cenário esperado para a estação - Crédito - Lucas George Wendt

3) Primavera de 2026 deve ter chuva acima da média no Vale do Taquari - Crédito - Tuane Eggers

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