O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) elevou o nível de atenção para a possível consolidação de um fenômeno El Niño de intensidade muito forte no segundo semestre de 2026. A informação consta na terceira nota técnica divulgada nesta terça-feira (12), que aponta para o avanço do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo os especialistas, os dados observados indicam uma rápida transição termodinâmica, com aumento expressivo das temperaturas na região monitorada, cenário semelhante ao que antecedeu episódios históricos registrados em 1997/1998 e 2015/2016.
Apesar do alerta, o CIEX ressalta que o El Niño ainda não foi oficialmente configurado pelos critérios internacionais da NOAA, agência climática dos Estados Unidos. Para que isso ocorra, as temperaturas na região Niño 3.4 precisam permanecer acima de +0,5°C durante pelo menos três meses consecutivos, além da confirmação de alterações atmosféricas consistentes. Ainda assim, os dados atuais já preocupam os especialistas. Em 9 de maio, a temperatura média na área de monitoramento chegou a 28,74°C, com anomalia positiva de +0,88°C em relação à média histórica.
O relatório também destaca que o principal fator responsável pelo aquecimento é uma Onda de Kelvin oceânica de fase quente, que transporta calor da porção oeste para leste do Pacífico. Em áreas próximas ao Peru e Equador, já foram registradas anomalias próximas de +1°C. Modelos climáticos internacionais, como o norte-americano CFSv2, o europeu ECMWF e o australiano BOM, indicam tendência de aquecimento superior a +2°C entre o fim do inverno e o início da primavera austral, reforçando a possibilidade de um evento de grande intensidade.
No Rio Grande do Sul, os impactos ainda não podem ser previstos com precisão, mas os modelos sazonais já indicam tendência de chuvas acima da média entre setembro e novembro. O CIEX alerta que fenômenos extremos, como enchentes e temporais severos, dependem de uma combinação complexa de fatores atmosféricos e oceânicos. Mesmo assim, o órgão recomenda que a Defesa Civil e gestores públicos intensifiquem imediatamente ações preventivas e revisem planos de contingência, destacando que até episódios moderados de El Niño já podem favorecer precipitações elevadas na região Sul do Brasil.