A seca de um reservatório em Caruaru (PE) levou um agricultor a descobrir fósseis de animais pré-históricos, como preguiças-gigantes, tatus-gigantes e mastodontes, além de pinturas rupestres de cerca de 10 mil anos. O local servia como ponto de abastecimento de água e acumulava carcaças. Analisado pela UFPE, o sítio teve escavações pausadas para preservação após o retorno das chuvas. Especialistas reforçam que achados paleontológicos exigem acompanhamento científico para não perderem o valor.
O que parecia ser pedra no fundo de um reservatório seco levou o agricultor José Carlos a encontrar vestígios de animais pré-históricos em Caruaru, no Agreste pernambucano. A descoberta começou em 2013, no Sítio Carneirinho.
Durante a limpeza do local, o agricultor encontrou um crânio de grandes proporções e procurou a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Entre os achados relatados estão fragmentos atribuídos a preguiças-gigantes, tatus-gigantes e mastodontes.
A propriedade também abriga pinturas rupestres associadas à presença humana há aproximadamente 10 mil anos. Essa referência temporal diz respeito aos registros humanos, não à idade de todos os fósseis encontrados.
Reservatório reunia animais
O biólogo Alexandre Nunes explicou, em entrevista ao g1, que o reservatório servia como ponto de abastecimento de água para a fauna. Carcaças poderiam se acumular nas partes mais profundas da formação rochosa.
Após os primeiros achados, as escavações foram interrompidas para preservar o material. Com a volta das chuvas, parte das ossadas ficou novamente submersa.
Como os fósseis se formam?
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), fósseis são restos ou vestígios de organismos preservados ao longo do tempo. Eles podem incluir partes do corpo, como ossos e dentes, mas também marcas deixadas pela atividade dos seres vivos.
Pegadas, perfurações e escavações, por exemplo, integram o grupo dos icnofósseis. Esses registros revelam a existência de organismos mesmo quando nenhuma parte de seus corpos foi preservada.
A fossilização depende de condições específicas. O soterramento rápido e a redução da decomposição favorecem a conservação dos restos. Por isso, nem todo animal que morreu no passado deixou um registro capaz de chegar até o presente.
O estudo desses materiais é realizado pela paleontologia. A área reúne diferentes especialidades, dedicadas aos animais, aos vegetais e aos vestígios de suas atividades. A análise ajuda a investigar formas de vida e ambientes de outras épocas.
Preservação dos achados
O pesquisador Sandro Guimarães de Sales, da UFPE, alertou que intervenções sem acompanhamento especializado podem reduzir o valor científico dos vestígios. A orientação é procurar a universidade ao encontrar materiais semelhantes.