O mercado imobiliário de Porto Alegre atravessa um período de valorização expressiva. Nos últimos doze meses, os preços de locação na capital registraram uma alta generalizada de 22,7%. Os dados são provenientes de um levantamento realizado pela empresa de tecnologia e serviços financeiros Loft, que analisou cerca de 77 mil anúncios em plataformas digitais, comparando o período entre novembro de 2025 e abril de 2026 com o intervalo equivalente do ano anterior.
Os bairros que registraram os maiores aumentos no período possuem perfis diversificados. O bairro Santa Tereza lidera o crescimento com uma alta de 71,3%, seguido pela Vila Jardim, com 68,3%, Ipanema, com 67,4%, Jardim São Pedro, com 50,5%, e Santa Cecília, com 43,1%. Segundo o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, o cenário mostra que regiões que aliam preços menos elevados com uma boa infraestrutura de referência regional apresentam maior espaço para reajustes. A pressão de demanda, contudo, é disseminada por toda a cidade, atingindo inclusive bairros nobres como Chácara das Pedras e Boa Vista, que também apresentaram crescimentos relevantes.
No que se refere ao valor absoluto dos aluguéis, o bairro Vila Assunção ocupa o topo do ranking, com um tíquete médio de R$ 12.088 para imóveis que possuem, em média, 246 metros quadrados. Na sequência, aparecem Jardim Europa e Três Figueiras como os endereços mais caros da capital. Por outro lado, as opções mais acessíveis concentram-se em bairros como Restinga, Rubem Berta e Passo das Pedras, onde os valores variam entre R$ 1.266 e R$ 1.639. O bairro Espírito Santo foi o único a registrar queda, com recuo de 8,4%, enquanto o Moinhos de Vento teve um crescimento de 7,5%, ficando abaixo da média geral da cidade.
O comportamento dos preços em Porto Alegre reflete uma tendência nacional, onde o valor dos aluguéis tem subido com maior velocidade do que os preços de venda dos imóveis. A explicação técnica para essa movimentação, segundo especialistas, está na restrição do acesso ao crédito habitacional. Como o financiamento para compra ainda enfrenta barreiras, muitas famílias optam pela locação como alternativa imediata de moradia, o que mantém a pressão contínua sobre os preços praticados no mercado imobiliário local.
Com informações: O Sul