O Tribunal de Contas da União decidiu arquivar a apuração envolvendo os deslocamentos aéreos do deputado federal Nikolas Ferreira durante o período eleitoral do ano de 2022. A aeronave utilizada possui vínculos com o empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Com essa resolução, o processo deixa de tramitar na Corte e permanece sem um esclarecimento definitivo sobre o responsável financeiro pelos custos das viagens.
O arquivamento do caso pelo TCU
A deliberação foi formalizada através de um acórdão redigido nos últimos dias de abril. O documento tem como relator o ministro do TCU Antonio Anastasia. De acordo com o tribunal, não existem indícios suficientes que justifiquem a manutenção do processo na esfera federal. A instituição ressalta que não é o órgão competente para analisar o mérito das suspeitas. Segundo os ministros, o julgamento de questões relacionadas ao financiamento de campanhas eleitorais pertence exclusivamente à Justiça Eleitoral. O processo inicial partiu do Ministério Público, que questionou a origem do dinheiro empregado no uso do jato executivo associado a Vorcaro. Vale lembrar que o empresário foi detido pela segunda vez em março de 2026, sob investigação por crimes financeiros, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. No acórdão, a Corte enfatiza que as denúncias precisam apresentar um "lastro probatório mínimo" com evidências concretas de irregularidades envolvendo o erário. Esse requisito não foi cumprido na análise preliminar.
Contexto das viagens e articulação
A polêmica ganhou grande visibilidade quando o jornal O Globo publicou uma reportagem detalhando o uso do avião durante o segundo turno das eleições presidenciais. Naquele momento, o parlamentar apoiava a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro, que disputava o cargo contra Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos voos aconteceu no dia dez de outubro de 2022, com destino à capital federal. O deputado estava acompanhado pelo pastor André Valadão. O encontro reuniu diversas personalidades para traçar estratégias para a reta final do pleito. Dessa mobilização surgiu a caravana chamada de Juventude pelo Brasil, que visitou pelo menos nove estados, com foco estratégico no Nordeste. A comitiva utilizou um jato executivo com capacidade para transportar até dez passageiros. A aeronave estava vinculada à empresa Prime You, da qual Daniel Vorcaro era sócio no período. Registros nas plataformas digitais comprovaram a presença do grupo no avião, e os dados de voo coincidiram com a agenda pública da campanha.
Defesa do deputado Nikolas Ferreira
Em sua defesa, Nikolas Ferreira declara que desconhecia a identidade do proprietário da aeronave. Ele explica que viajou após receber um convite do pastor Guilherme Batista e que nunca manteve contato com Daniel Vorcaro. O deputado também argumenta que o nome do empresário não era amplamente conhecido na época. Contudo, o tribunal não avaliou essas explicações, pois não possui competência para analisar a origem dos fundos. Portanto, persistem dúvidas sobre o financiamento dos voos e o respeito às normas eleitorais.