Por que o relatório final da CPI do Crime Organizado solicita o impeachment de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet?

Documento do senador Alessandro Vieira aponta crimes de responsabilidade e omissões graves no caso envolvendo o Banco Master

14 abr 2026 - 09h56

O cenário político em Brasília atingiu um ponto de ebulição nesta terça-feira (14), com o encerramento dos trabalhos da CPI do Crime Organizado no Senado. Em um movimento inédito na história parlamentar brasileira, o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) solicita formalmente o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), além do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. O documento é o resultado de quatro meses de investigações que, embora tenham começado focadas em operações policiais no Rio de Janeiro, acabaram por desvendar uma complexa teia de influências no sistema financeiro nacional.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes
Foto: Rosinei Coutinho/STF / Perfil Brasil

Entenda as acusações contra os ministros do STF e a PGR

A fundamentação para os pedidos de destituição repousa em supostas irregularidades cometidas pelas autoridades durante o processo envolvendo o Banco Master. Segundo o texto protocolado pelo relator, os magistrados e o chefe do Ministério Público Federal incorreram em crimes de responsabilidade previstos na Lei 1.079/1950. No caso de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o relatório é contundente ao afirmar que ambos procederam de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções. O texto detalha que Toffoli teria atuado como relator de processos ligados ao banco mesmo após vender participação em um resort a um fundo conectado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

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Já em relação a Alexandre de Moraes, a acusação menciona uma suposta captura regulatória. O relatório sustenta que o ministro teria buscado informações junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a venda do Master ao BRB, lembrando que Vorcaro era cliente do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Quanto a Gilmar Mendes, o senador Alessandro Vieira aponta o que chama de proteção corporativa, citando decisões que impediram a quebra de sigilo de empresas ligadas a Toffoli. "A conduta que se esperaria de qualquer magistrado da Corte seria a de máxima cautela e distanciamento em relação a atos que pudessem ser interpretados como proteção corporativa", destaca o documento oficial.

Omissão institucional e o papel de Paulo Gonet no caso

A inclusão de Paulo Gonet na lista de pedidos de indiciamento baseia-se em uma suposta inércia diante dos fatos narrados. O relatório afirma que o Procurador-Geral foi patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições. De acordo com o documento da CPI, Gonet manteve um "silêncio institucional diante de indícios públicos e robustos de crimes de responsabilidade e eventualmente comuns por parte dos mais altos magistrados do país" no âmbito do Caso Master. Essa postura teria fragilizado a fiscalização necessária sobre as condutas das autoridades envolvidas no imbróglio financeiro.

Além do embate com o Judiciário, o texto final da comissão apresenta um diagnóstico sombrio sobre a segurança pública no Brasil. O senador sugere que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decrete intervenção federal no Rio de Janeiro para combater o domínio territorial de facções e milícias. "A gravidade da situação no Rio de Janeiro é proporcional à excepcionalidade do remédio. Trata-se de milhões de brasileiros que vivem sob o jugo de organizações criminosas armadas", frisou o relator. O parlamentar defende que a medida é essencial para garantir direitos fundamentais como a liberdade de ir e vir e o acesso a serviços públicos.

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