Planos de saúde empresariais podem ficar mais caros com canetas emagrecedoras e remédios caros

A ascensão dos medicamentos modernos e o aumento da judicialização impulsionam novos reajustes nos convênios empresariais

5 mai 2026 - 13h27

O cenário dos planos de saúde no Brasil enfrenta um momento de transformação profunda e desafios financeiros significativos. A popularização das chamadas canetas emagrecedoras e a busca crescente por terapias de alta tecnologia estão no centro de um debate que afeta diretamente o bolso do trabalhador. Mesmo que muitos desses fármacos ainda não façam parte da cobertura obrigatória, a pressão que exercem sobre o sistema é inegável. Consultorias especializadas apontam que os gastos com medicamentos modernos são os principais vilões da inflação médica atualmente.

Caneta emagrecedora
Caneta emagrecedora
Foto: Reprodução/TV Globo / Perfil Brasil

Medicamentos modernos elevam custos médicos nas Américas

A diretora de saúde e benefícios da Willis Towers Watson, Walderez Fogarolli, traz uma perspectiva importante sobre como essa dinâmica funciona no mercado brasileiro. Segundo a executiva, o contexto atual é de expansão de custos em diversas frentes. "Embora os planos de saúde no Brasil ainda não contemplem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos, além de medicamentos voltados a doenças raras e autoimunes", explica a diretora ao g1. Essa ampliação reflete uma tendência de tratamentos cada vez mais personalizados e dispendiosos.

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Obesidade é reconhecida como doença crônica e gera judicialização

Enquanto o setor privado tenta equilibrar as contas, órgãos internacionais revisam suas diretrizes. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde classificou esses novos medicamentos como ferramentas potencialmente essenciais para ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir os danos associados. No Brasil, essa visão ganha força no Legislativo, com projetos de lei que visam incluir tais tratamentos no Sistema Único de Saúde. Para as operadoras, o maior risco reside na justiça, onde o reconhecimento da obesidade como doença crônica motiva decisões que obrigam a cobertura de tratamentos antes negados administrativamente.

Projeções indicam reajustes em planos empresariais para 2026

O futuro próximo exige atenção dos gestores e beneficiários. De acordo com Thomás Ishizuka, superintendente técnico e atuarial da Mercer Marsh Benefícios, o cálculo das mensalidades envolve variáveis complexas que vão além do preço do remédio. O especialista detalha ao g1 que a frequência de utilização e o custo médio por atendimento, conhecido como severidade, são pilares fundamentais. "Analisamos principalmente o custo médio por atendimento e a frequência de uso, mas o preço também depende de outras variáveis, como a idade dos beneficiários, o setor da empresa e o tipo de contrato", diz o executivo. A estimativa é que os reajustes empresariais possam chegar a dois dígitos em breve.

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