Pix internacional: Banco Central estuda pagamentos no exterior

Autoridade monetária avalia remessas globais em segundos, uso do sistema como garantia de crédito e regras antifraude mais rigorosas

11 ago 2026 - 10h25

O Banco Central do Brasil (BC) estuda interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países e redes multilaterais globais. A autoridade monetária busca diminuir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais. A novidade integra o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025.

Banco Central divulgou novas funcionalidades do Pix
Banco Central divulgou novas funcionalidades do Pix
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Perfil Brasil

As equipes técnicas da instituição monitoram modelos de transações internacionais com uso do Pix implementados por empresas privadas. O plano do órgão regulador inclui ainda pagamentos por aproximação offline e o uso do Pix automático para substituir o débito em conta.

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A princípio, os técnicos do BC projetam a integração do mecanismo ao mercado de crédito. A proposta pretende utilizar os fluxos futuros de recebimento como garantia para financiamentos.

"Como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix", explica o relatório oficial do Banco Central

Em contrapartida, a instituição identifica o uso abusivo do campo de mensagens para ofensas e intimidações vinculadas a transferências irrisórias. Diante desse cenário, um grupo de trabalho analisa medidas regulatórias para coibir abusos no recurso.

"Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", destaca o documento.

Cerco contra fraudes e Inteligência Artificial

Do mesmo modo, o BC estruturou uma agenda de segurança com oito medidas principais sobre o Pix. O órgão definirá critérios objetivos para caracterizar transações suspeitas, eliminando divergências entre bancos.

Em vista disso, o sistema utilizará um modelo de machine learning para calcular a probabilidade de fraude em tempo real para todas as operações.  O projeto prevê alertas de fraude padronizados e aprimoramento no fluxo de informações para bloqueios cautelares.

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"A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca fluida e tempestiva de informações, o que irá facilitar a avaliação sobre a transação, de forma a aumentar a assertividade na detecção de fraudes", completa o BC.

Geopolítica e pressões internacionais

Por analogia às disputas de mercado, o Pix entrou no foco do governo dos Estados Unidos. A Casa Branca classificou o sistema como "prática desleal" para justificar sanções comerciais recentes contra produtos brasileiros, alegação refutada pelo governo do Brasil.

Analistas apontam que a reação norte-americana ocorre porque a ferramenta brasileira reduz a dependência de infraestruturas financeiras controladas por Washington, limitando a eficácia de eventuais sanções internacionais.

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