PF pede prisão preventiva de MC Ryan SP, Poze do Rodo e dono da Choquei após habeas corpus no STF

Polícia Federal contesta decisão do STJ e busca manter investigados na cadeia em meio a esquema de lavagem de dinheiro

23 abr 2026 - 16h41

A situação jurídica dos influenciadores e empresários envolvidos na Operação Narco Fluxo ganhou contornos dramáticos nesta quinta-feira. Após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos detidos, a Polícia Federal reagiu prontamente ao protocolar um novo pedido, desta vez buscando a prisão preventiva de nomes como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, o criador da página Choquei. A medida ocorre em um momento crucial das investigações, que apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro estimado em mais de R$ 1,6 bilhão. De acordo com os levantamentos da corporação, o grupo utilizava uma estrutura sofisticada que envolvia desde apostas esportivas ilegais e rifas clandestinas até o tráfico internacional de drogas, recorrendo a empresas de fachada e laranjas para movimentar os recursos ilícitos e realizar remessas ao exterior.

O MC Ryan SP, o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil ‘Choquei’, das Redes Sociais
O MC Ryan SP, o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil ‘Choquei’, das Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Perfil Brasil

O impasse jurídico na Operação Narco Fluxo

A tensão entre o Poder Judiciário e a autoridade policial atingiu um novo nível com a reviravolta no caso. Os alvos da operação haviam sido detidos temporariamente no dia 15 de abril. Contudo, o ministro Messod Azulay Neto, relator do processo no Superior Tribunal de Justiça, entendeu que o decreto de prisão temporária carecia de base legal sólida. Segundo o magistrado, o prazo de 30 dias estabelecido foi considerado indevido, visto que a própria Polícia Federal havia solicitado originalmente apenas cinco dias, período que já estava esgotado. Essa discordância processual gerou o clima de incerteza sobre a permanência dos investigados no sistema prisional, forçando a autoridade policial a recalcular sua estratégia para evitar a soltura dos suspeitos enquanto as diligências ainda estão em curso.

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Argumentos da Polícia Federal para a custódia

Com o acesso a dispositivos eletrônicos, documentos físicos e registros financeiros apreendidos, a Polícia Federal sustenta agora que possui um arcabouço probatório robusto o suficiente para justificar a conversão das prisões temporárias em preventivas. Para os investigadores, a medida restritiva de liberdade é fundamental para garantir a ordem pública, dado o volume expressivo de recursos desviados e a suposta complexidade da rede criminosa. A corporação aponta ainda o risco concreto de continuidade das atividades delituosas, além de um temor legítimo de que os investigados possam interferir na produção de provas ou alinhar versões dos fatos, caso sejam liberados neste estágio sensível da apuração.

Defesas contestam os novos pedidos da PF

A movimentação da polícia não passou sem críticas severas por parte das defesas. Em nota, os advogados de MC Ryan SP manifestaram perplexidade com o caráter manifestamente extemporâneo do pedido. O questionamento central levantado pela defesa é sobre a coerência do órgão acusador, indagando se os requisitos para a preventiva já existiam, por que não foram solicitados anteriormente. O advogado Felipe Cassimiro, responsável pela defesa do artista, argumentou que a consequência jurídica natural da decisão do STJ seria a revogação imediata da prisão, ao identificar um erro crasso no prazo fixado inicialmente. De forma similar, Fernando Henrique Cardoso Neves, que representa Poze do Rodo, afirmou que o novo pleito da Polícia Federal carece de fatos novos, caracterizando o movimento como uma tentativa de manter a custódia sem fundamentação atualizada. A investigação, que começou com a análise de dados do iCloud pertencentes ao contador Rodrigo de Paula Morgado, segue sem previsão de conclusão, mantendo o caso no centro das atenções nacionais.

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