Pesquisa indica que 66% dos brasileiros veem envolvimento do STF no Caso Master

Levantamento aponta percepção de influência externa em julgamentos da Corte e detalha dados sobre a confiança do público no Judiciário

20 mar 2026 - 18h27

Uma pesquisa realizada pela consultoria AtlasIntel, com o Estadão, revela que 66,1% dos brasileiros acreditam na existência de envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo relativo ao Banco Master. O estudo quantitativo mostra que outros 14,9% dos entrevistados rejeitam essa hipótese, enquanto 18,9% declararam não ter conhecimento suficiente para opinar sobre o tema.

A coleta de dados ocorre em um cenário de intensificação do escrutínio público sobre as atividades da Corte
A coleta de dados ocorre em um cenário de intensificação do escrutínio público sobre as atividades da Corte
Foto: STF/Divulgação / Perfil Brasil

A coleta de dados ocorre em um cenário de intensificação do escrutínio público sobre as atividades da Corte. O levantamento indica que a percepção dos cidadãos foi influenciada pela divulgação de relações comerciais que envolvem o proprietário da instituição financeira, Daniel Vorcaro, e figuras ligadas a integrantes do tribunal.

Publicidade

De acordo com os dados apresentados, o desgaste na imagem da instituição está associado a informações sobre contratos vinculados à esposa do ministro Alexandre de Moraes e ao ministro Dias Toffoli. A exposição desses vínculos financeiros ampliou a pressão externa sobre o STF e evidenciou divergências internas entre os magistrados quanto aos ritos e à condução do Caso Banco Master.

O relatório da AtlasIntel também explorou a percepção de imparcialidade nas decisões judiciais. Para 89,9% dos participantes, as deliberações do Supremo sofrem algum nível de influência externa. Em contraste, apenas 6,1% dos entrevistados consideram que os julgamentos proferidos pela Corte são fundamentados em critérios estritamente técnicos.

A pesquisa foi estruturada com base em 2.090 entrevistas, realizadas entre os dias 16 e 19 de março. A metodologia aplicada utilizou o recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), sistema que busca garantir a representatividade da amostra. O estudo apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança estabelecido em 95%.

O monitoramento desses índices reflete o atual estágio do debate sobre a transparência e a autonomia das decisões no âmbito do Poder Judiciário brasileiro, especialmente em casos que envolvem grandes grupos econômicos e o sistema financeiro nacional.

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações