Perigo da carta-frete: como a prática ilegal retira R$ 32 bilhões da economia nacional

Entenda os impactos da falta de regulamentação no frete e como a alta do diesel em 2026 está pressionando o setor rodoviário

13 abr 2026 - 16h50

A informalidade no transporte rodoviário de cargas já representa 43% do mercado brasileiro e provoca uma perda anual estimada em R$ 32,7 bilhões em tributos. O dado alarmante faz parte de um estudo da Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete (Ampef) e revela como práticas irregulares seguem disseminadas no setor. Segundo o levantamento divulgado pelo Jornal do Carro do Estadão, o transporte de cargas movimenta cerca de R$ 818,6 bilhões no país. No entanto, um montante de R$ 351,8 bilhões circula no segmento informal, impactando diretamente a arrecadação pública e a dinâmica de trabalho dos motoristas.

O setor rodoviário é estratégico para a economia brasileira, sendo essencial para a integração de toda a cadeia logística nacional
O setor rodoviário é estratégico para a economia brasileira, sendo essencial para a integração de toda a cadeia logística nacional
Foto: Renovias/Divulgação / Perfil Brasil

Um dos principais vilões desse cenário é a carta-frete, uma prática considerada ilegal, mas que ainda sobrevive em rotas de média e longa distância. Nesse modelo, o caminhoneiro recebe um documento para custear gastos como combustível e alimentação, mas só acessa o valor integral após a entrega. O sistema acaba restringindo o uso do dinheiro a postos credenciados e dificulta a comprovação de renda do profissional. De acordo com a análise da Ampef, atualizada para preços de agosto de 2025, apenas o uso desse mecanismo gera uma perda tributária que varia entre R$ 8,9 bilhões e R$ 14,2 bilhões anuais.

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Além do prejuízo aos cofres públicos com a carta-frete, a informalidade gera uma concorrência desleal que prejudica quem trabalha dentro das regras. Empresas que operam à margem da lei conseguem reduzir custos ao evitar obrigações fiscais, o que acaba pressionando para baixo o valor médio do frete e reduzindo a renda dos caminhoneiros autônomos. Este cenário de instabilidade é agravado pela pressão constante nos custos operacionais. Em março, o preço do diesel subiu mais de 13% na comparação com fevereiro, atingindo uma média de R$ 7,10 por litro no tipo S-10. A alta foi impulsionada por tensões geopolíticas internacionais que valorizaram o petróleo.

O setor rodoviário é estratégico para a economia brasileira, sendo essencial para a integração de toda a cadeia logística nacional. Para os especialistas da associação, a solução para frear essa evasão bilionária passa pela ampliação obrigatória dos meios eletrônicos de pagamento de frete regulamentados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O uso da tecnologia e a digitalização dos pagamentos aumentariam a transparência, permitiriam que o motorista tivesse acesso real ao seu crédito e garantissem que os tributos devidos retornassem em forma de políticas públicas e melhorias na infraestrutura das estradas.

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