Para os países que disputam a Copa do Mundo, o tamanho nem sempre é sinônimo de gols e glória

Entre as 48 nações que disputam a Copa do Mundo, qual é a importância de fatores demográficos como população e idade média? Veja como a seleção do seu país se sai nessa comparação

17 jun 2026 - 12h40
A diversidade de países representados este ano é notável, assim como suas características populacionais Rodrigo Oropeza/Getty Images
A diversidade de países representados este ano é notável, assim como suas características populacionais Rodrigo Oropeza/Getty Images
Foto: The Conversation

O maior evento esportivo do planeta - a Copa do Mundo da Fifa - já está em andamento, atraindo bilhões de telespectadores e milhões de torcedores nos estádios.

Não faltam estatísticas impressionantes para ilustrar a magnitude desta 23ª edição do torneio. Um número recorde de 48 seleções vai disputar 108 partidas em 16 locais em três países da América do Norte, competindo por um prêmio total recorde de quase US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).

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Para os demógrafos, uma análise dos países participantes também oferece um retrato de um mundo em profunda transformação.

E isso levanta uma questão intrigante: até que ponto fatores como o tamanho da população e a idade de um país, por si só, influenciam as chances de sucesso?

Por que o tamanho não é tudo

A diversidade de países representados este ano é notável, assim como a faixa etária dos talentos que entram em campo.

O português Cristiano Ronaldo ainda está competindo aos 41 anos, enquanto o espanhol Lamine Yamal, de 18 anos, chega como uma das jovens estrelas mais promissoras do futebol após ajudar seu país a conquistar o Campeonato Europeu em 2024.

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A Costa do Marfim trouxe a seleção mais jovem, com idade média de 25,4 anos, enquanto o Irã apresenta a mais velha, com 31,3 anos. Esses números podem refletir tendências nos países de origem: a idade média da população da Costa do Marfim é de apenas 18,1 anos, em comparação com 34,3 no Irã.

Ainda assim, a relação entre a seleção de futebol de um país e a idade de sua população nem sempre é direta.

O Japão tem a população mais velha de todas as nações no torneio, com uma idade média de 49 anos, enquanto sua seleção - amplamente considerada uma das mais fortes da Ásia - tem uma idade média de apenas 27,4 anos.

Isso a coloca em um ponto ideal estatístico na história do torneio: a idade média ideal para um finalista da Copa do Mundo foi citada em entre 26 e 28,5 anos.

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O tamanho da população também pode parecer uma vantagem óbvia em uma Copa do Mundo.

Mais pessoas deveriam significar um leque maior de talentos para se recorrer e, de fato, uma análise recente sugeriu que esse seria um dos principais indicadores para a classificação na Copa do Mundo.

O Brasil certamente se encaixaria nessa teoria. Com mais de 211 milhões de habitantes, é o segundo país mais populoso do torneio e o mais bem-sucedido, com cinco títulos da Copa do Mundo.

Ao mesmo tempo, tamanho não garante a vitória. As duas nações mais populosas do mundo, China e Índia, nunca se classificaram para uma fase final da Copa do Mundo masculina, enquanto os Estados Unidos chegaram a apenas uma semifinal, apesar de sua população ultrapassar 340 milhões.

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Os mesmos modelos estatísticos que destacam o poder da população também revelam anomalias gritantes. A Itália, que tem uma enorme reserva de talentos, não conseguiu se classificar.

Depois, há aquelas pequenas nações que aparentemente superam as expectativas em relação à população.

Curaçao, com uma população de apenas 185.000 habitantes, é a menor nação a se classificar para uma Copa do Mundo. Todos os membros de sua seleção jogam profissionalmente no exterior - muitos na Holanda -, o que ilustra como o talento no futebol pode ser desenvolvido muito além das fronteiras de um país.

Outro destaque é o Uruguai. Com uma população de apenas 3,4 milhões, a nação sul-americana venceu a Copa do Mundo duas vezes e continua sendo uma das grandes forças do esporte.

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A população pode ajudar a produzir talentos do futebol, mas a Copa do Mundo sugere que outros fatores têm um papel importante a desempenhar.

Demografia e bônus

Como análises recentes sugeriram, riqueza, sistemas de treinamento e culturas futebolísticas de longa data podem ser tão importantes quanto o tamanho do pool de talentos de um país.

O mesmo princípio se aplica fora do esporte. Demógrafos há muito argumentam que as perspectivas de um país podem ser influenciadas não apenas pelo número de habitantes, mas também pela estrutura etária de sua população e pela eficácia com que desenvolve seu capital humano.

Muitos dos países participantes do torneio com populações mais jovens - particularmente na África, Ásia e no Pacífico - têm forças de trabalho em crescimento e uma grande parcela de jovens entrando na idade adulta.

Economistas se referem às oportunidades criadas por uma população em idade produtiva relativamente grande como o "bônus demográfico".

A migração também está se tornando cada vez mais importante. Em grande parte da Europa, a imigração agora representa uma parcela significativa do crescimento populacional, ajudando a compensar a escassez de mão de obra e o envelhecimento da população.

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A Copa do Mundo reflete essa realidade, com muitas seleções nacionais contando com jogadores cujas histórias familiares abrangem vários países.

Mas nem uma população jovem, nem uma forte migração, nem o mero tamanho da população garantem o sucesso - seja dentro ou fora de campo.

A chave, se esta Copa do Mundo oferece alguma lição de demografia aos países, é o investimento nas pessoas.

The Conversation
Foto: The Conversation

Os autores não prestam consultoria, trabalham, possuem ações ou recebem financiamento de qualquer empresa ou organização que se beneficiaria deste artigo e não revelaram qualquer vínculo relevante além de seus cargos acadêmicos.

Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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