Padrões de sono podem revelar 'idade cerebral' e indicar risco de demência, aponta estudo

Estudo revela que a atividade cerebral noturna indica envelhecimento cognitivo e aponta caminhos para a prevenção precoce

2 mai 2026 - 08h09

A forma como as engrenagens da nossa mente operam ao longo da noite pode fornecer informações cruciais sobre a probabilidade de desenvolver demência. É o que indica uma pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia, que estabeleceu uma conexão clara entre as características das ondas cerebrais noturnas e a chance de desenvolver essa condição ao longo dos anos.

Pesquisa utilizou modelo de IA para identificar padrões sutis nas chamadas 'ondas cerebrais'
Pesquisa utilizou modelo de IA para identificar padrões sutis nas chamadas 'ondas cerebrais'
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Atividade cerebral e o risco de demência

Para investigar essa questão, os especialistas examinaram informações de aproximadamente sete mil indivíduos. Os participantes, com idades que variavam entre 40 e 94 anos, foram acompanhados durante um período que chegou a 17 anos. Nenhum deles apresentava diagnóstico de demência no início da avaliação, embora pouco mais de mil pessoas tenham desenvolvido o quadro com o passar do tempo.

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O grande diferencial dessa análise foi a abordagem adotada em relação ao sono. Em vez de simplesmente medir a duração do descanso ou o tempo passado em cada estágio, os cientistas procuraram compreender a dinâmica interna desse processo. Eles observaram a atividade neural de forma direta.

A pesquisadora Yue Leng apontou a importância dessa análise ao afirmar que "essas métricas mais amplas não dão conta da complexidade do sono". Para acessar essas minúcias, a equipe utilizou a polissonografia, um exame capaz de registrar os sinais elétricos cerebrais durante o repouso. Os dados foram processados com inteligência artificial, o que permitiu identificar padrões muito sutis nas ondas cerebrais.

O papel do sono na saúde cognitiva

A partir desse cruzamento de dados, os pesquisadores criaram o conceito de idade cerebral, um parâmetro que compara o funcionamento do cérebro com o que seria esperado para a idade cronológica do indivíduo. Essa avaliação é feita com base em um conjunto de elementos, incluindo a presença de ondas delta, fusos do sono e outros traços complexos.

Os resultados indicam que, quando a idade cerebral calculada é superior à idade real, o risco de demência cresce de maneira significativa. Para cada década de diferença, o risco aumenta cerca de 40%. Por outro lado, quando o cérebro apresenta um funcionamento mais jovem do que o previsto, a probabilidade diminui. O estudo foi divulgado na revista JAMA Network Open.

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Para o neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, os dados reforçam que o sono vai muito além de um simples descanso. Ele é um processo vital para manter o cérebro em ordem.

O médico destaca que "quando falamos que dormir bem é descansar o corpo e a mente, é exatamente por isso. Durante o sono, o cérebro passa por um processo de autorrestauração diretamente ligado à saúde cognitiva". Ele complementa afirmando que "quando diagnosticamos e tratamos um distúrbio precocemente, estamos agindo na prevenção. O cérebro que dorme bem envelhece mais devagar".

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