O tratamento do câncer costuma ser solitário, tornando o suporte social essencial. Para combater esse isolamento, surgem redes de "oncofriends", viabilizadas por ONGs, grupos de mensagens e aplicativos como o norte-americano CancerBuddy, que conecta pessoas com diagnósticos similares, além de cuidadores e sobreviventes. Essas conexões e trocas de experiências acolhem quem enfrenta a doença e ajudam a recuperar a autoestima durante a jornada oncológica.
"Quem tem um amigo tem tudo", já dizia a canção de Emicida. E quando estamos enfrentando um câncer, esse "tudo" parece ficar ainda maior. Não faltam estudos que mostram o quanto as relações sociais são importantes nesse processo - e quanto a solidão pode impactar no tratamento.
Tratar um câncer é uma experiência bastante solitária. É comum ouvir relatos de pacientes que perceberam amigos e parentes se afastarem depois do diagnóstico. Há quem se afaste por não saber o que dizer ou por ter medo de atrapalhar o paciente nos dias em que ele não está bem. E há relações que apenas deixam de fazer sentido. Tudo bem, faz parte da vida.
Mas, ao mesmo tempo, uma enorme comunidade se abre para o paciente oncológico. Os chamados "oncofriends" adoram trocar experiências e acolher quem começa a dar os primeiros passos nessa longa jornada. Fundadora da Oncoclothes, marca de roupas adaptadas para os pacientes, Samantha Leal decidiu unir suas clientes em um grupo de WhatsApp. "Elas são sedentas por informações e trocas", diz.
Muitas ongs também ajudam nessa conexão. O Instituto Quimioterapia e Beleza, por exemplo, faz regularmente oficinas de maquiagem para pacientes oncológicas. Ao final, maquiadas e com a autoestima lá em cima, as participantes costumam esticar para um lanche.
Quando criei este blog durante meu diagnóstico, em 2021, a ideia também era oferecer um espaço de troca de ideias e experiências para quem estivesse passando por algo semelhante. Acabei fazendo grandes amigas, que carrego comigo até hoje.
'Tinder' do paciente oncológico
Promover as conexões entre pacientes também é a ideia por trás do aplicativo CancerBuddy, criado pela Bone Marrow & Cancer Foundation, nos Estados Unidos. É uma espécie de Tinder do paciente oncológico: você completa seu perfil e, baseado nessas informações, ele vai sugerir pessoas com o mesmo tipo de câncer, idade, hospital de tratamento e localização para dar 'match'. E não são apenas os pacientes que podem participar: cuidadores e sobreviventes da doença também são bem-vindos, tanto para dar quanto para receber apoio.
O app, por ora, não está disponível por aqui. Mas tenho certeza que a hora que chegar - ou, quem sabe, se criarmos uma versão brasuca - será um sucesso. Afinal, tem coisa que brasileiro gosta mais que rede social?