Mulher condenada à morte sobrevive a duas injeções letais nos Estados Unidos

Christa Pike foi levada ao hospital após o procedimento; o governo do Tennessee abriu uma investigação para apurar o que ocorreu

1 out 2026 - 15h38
Resumo
Christa Pike, a única mulher no corredor da morte no Tennessee, sobreviveu a duas injeções letais de pentobarbital durante sua execução em Nashville. O procedimento foi interrompido após ela continuar respirando e com batimentos cardíacos, sendo levada às pressas a um hospital. Condenada por um assassinato em 1995, Pike seria a primeira mulher executada no estado em mais de 200 anos. O governador Bill Lee suspendeu futuras execuções e ordenou uma investigação independente sobre as falhas no processo.

A tentativa de executar Christa Pike, de 50 anos, terminou com a condenada sendo levada para um hospital no Tennessee, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (30). A mulher, condenada à pena de morte, continuou viva após receber duas aplicações de pentobarbital, substância usada no protocolo de injeção letal do Estado.

Nos Estados Unidos, o governo do Tennessee abriu uma investigação e suspendeu a próxima execução prevista para este ano
Nos Estados Unidos, o governo do Tennessee abriu uma investigação e suspendeu a próxima execução prevista para este ano
Foto: Reprodução/Youtube / Perfil Brasil

Durante o procedimento, os advogados recorreram à Justiça para interromper a execução e garantir atendimento médico. "A sra. Pike perdeu a consciência, mas ainda tem batimentos cardíacos e está roncando audivelmente", relatou a equipe no pedido emergencial.

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Um dos advogados afirmou posteriormente à 'BBC' que ela recebia intervenções médicas para salvar sua vida. Já no início desta quinta-feira (1º), o 'The Tennessean' informou que não havia uma atualização pública clara sobre seu estado de saúde.

O que aconteceu durante a tentativa de execução?

O procedimento ocorreu na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville. Testemunhas que acompanhavam a execução disseram ter ouvido Pike respirar e roncar mesmo depois da segunda aplicação da substância.

A jornalista Tori Gessner, da 'WKRN', afiliada da 'ABC' em Nashville, nos Estados Unidos, estava entre os profissionais que presenciaram a cena. "Já testemunhei cinco execuções no Tennessee. Nada do que aconteceu hoje foi normal, típico — absolutamente nada", afirmou.

As regras de execução adotadas pelo Tennessee permitem uma nova aplicação caso a primeira não provoque a morte. Entretanto, o protocolo não estabelece uma etapa adicional para situações em que o condenado permanece vivo após o uso do segundo conjunto de drogas. Pike acabou retirada da prisão em uma ambulância e encaminhada para atendimento médico.

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Estados Unidos investigam tentativa de execução no Tennessee

Após o episódio, o governador Bill Lee determinou uma revisão independente para descobrir o que ocorreu durante o procedimento. Ele também suspendeu a única outra execução que o Tennessee ainda tinha prevista para 2026. "Ninguém queria que o que aconteceu ontem à noite acontecesse. Não deveria ter acontecido", declarou Lee nesta quinta-feira.

O Departamento de Correções do Tennessee sustentou que a equipe responsável cumpriu as regras estabelecidas pelo Estado. "O Departamento de Correções do Tennessee seguiu cada etapa do protocolo de execução legal e estabelecido pelo Estado, aprovado pelo Gabinete do Procurador-Geral", afirmou a porta-voz Dorinda Carter ao 'The Tennessean'.

A defesa de Pike contestou a condução do procedimento. Os advogados já haviam manifestado preocupação com possíveis dificuldades para acessar as veias e com a forma de administração da substância. "Esta noite, o Estado do Tennessee mais uma vez falhou em realizar uma execução legal", declararam Randy Spivey e Kelly Gleason.

A execução ocorreu após uma disputa judicial que se estendeu até poucas horas antes do horário previsto. Um tribunal federal de apelações chegou a interromper temporariamente o procedimento para analisar argumentos apresentados pela defesa.

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Mais tarde, então, a Suprema Corte dos Estados Unidos, por 6 votos a 3, derrubou a suspensão e permitiu que o Tennessee desse continuidade à execução. Antes disso, os advogados de Pike também haviam questionado o método escolhido pelo Estado.

Por que Christa Pike foi condenada à morte?

Christa Pike recebeu a sentença de morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, cometido em 1995. Pike tinha 18 anos na época. Segundo os registros judiciais, Pike participou do espancamento, tortura e assassinato da jovem ao lado do então namorado, Tadaryl Shipp. Os dois conheciam Slemmer de um programa de formação profissional para adolescentes.

Pike é a única mulher no corredor da morte do Tennessee. A execução também teria marcado um fato histórico para o Estado, que não executava uma mulher havia mais de 200 anos. Desde que a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte em 1976, 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, diante de 1.663 homens, segundo informações da 'BBC'.

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