Onde está a Timmy? Libertação de baleia gera nova polêmica na Alemanha

4 mai 2026 - 15h35
(atualizado às 15h47)

Denúncias sugerem que manobra de soltura teria ferido o animal e que falhas no rastreador tem impedido saber paradeiro e estado de saúde da baleia. Especialistas contestam informações divulgadas pela equipe de resgate.A saga da baleia-jubarte "Timmy", que encalhou em março na costa da Alemanha, continua a gerar controvérsia no país dois dias após sua liberação no Mar do Norte.

Equipe teria usado cordas para puxar baleia pela calda
Equipe teria usado cordas para puxar baleia pela calda
Foto: DW / Deutsche Welle

Devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele, seu paradeiro atual é incerto — assim como seu estado de saúde.

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Nesta segunda-feira (04/05), a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação que transportava Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação. Ela falou com a imprensa após a embarcação chegar ao porto de Cuxhaven, na Alemanha.

Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a manobra. Além disso, o rastreador acoplado ao animal não foi testado antes de seu uso.

Como a DW mostrou, o modelo escolhido para transportar o animal, incapaz de completar o trajeto sozinho, já havia sido amplamente criticado no país. Especialistas alertavam que a jornada poderia causar ainda mais estresse à baleia e até resultar em afogamento após a soltura em alto-mar.

A operação foi financiada por empresários, entre eles Walter Gunz, cofundador da rede de eletrônicos MediaMarkt, que organizou a equipe e conduziu o resgate segundo suas próprias preferências.

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Uso de cordas para puxar o animal

Agora, persistem dúvidas sobre como a baleia foi manobrada nos momentos finais do resgate, já que não existe qualquer registro em vídeo da operação. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar.

Na noite de sexta-feira, imagens do canal News5 mostraram membros da tripulação tentando puxar o animal de ré, usando cordas. O método, questionado por representar risco à segurança da baleia, foi confirmado por Kirsten Tönnies. O animal só seria solto no sábado.

"Fui informada de que estavam tentando puxá-la para fora de ré, usando cordas e a nadadeira caudal. Repetidamente. Vi ferimentos na boca. Sou muito crítica a puxar o animal de ré. Puxar para frente é aceitável. Puxar para trás vai contra a natureza do animal, e eu não concordo com isso", disse ela.

Embora a equipe tenha anunciado a operação como um "sucesso", a ausência de evidências sobre a manobra usada ampliou a controvérsia. Tönnies afirma que foi impedida de acompanhar a etapa final e que a tripulação provavelmente barrou qualquer filmagem da liberação devido ao método empregado.

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Ao canal ZDF Heute, o pesquisador de baleias e biólogo marinho Fabian Ritter reforça que "a regra número um com baleias encalhadas é nunca, jamais puxar pela nadadeira caudal". Como a cauda é ligada ao corpo apenas por tecido conjuntivo e músculos, o puxão pode gerar lesões graves.

Segundo o jornal Bild, os dois milionários que financiaram a operação agora tentam se distanciar de seu desfecho. No sábado, Walter Gunz e Karin Walter-Mommert divulgaram uma nota em que afirmam não ter participado nem apoiado ativamente a forma como a liberação da baleia foi conduzida.

Rastreador instável e dúvidas sobre sinais vitais

As críticas ainda se concentram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguem inconstantes, e especialistas contestam as afirmações divulgadas pela iniciativa privada.

A equipe havia declarado que o transmissor seria capaz de enviar sinais vitais e que dados recebidos nesta segunda-feira indicariam que Timmy ainda está viva. Em operações desse tipo, o rastreador é fixado na nadadeira dorsal e só transmite quando está na superfície, o que explicaria a instabilidade do sinal.

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Contudo, não há evidências de que o aparelho seja capaz de fato de trasmitir sinais vitais e o transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.

Em nota, o Instituto de Pesquisa de Vida Selvagem Terrestre e Aquática (ITAW) afirmou que um teste funcional antes do uso seria prática padrão.

A organização ainda reforça que rastreadores desse tipo não fornecem parâmetros vitais médicos, como frequência cardíaca ou respiratória, a menos que incluam sensores específicos — algo que não foi comprovado pela equipe. Organizações como o Greenpeace corroboram a crítica.

Até agora, os dados obtidos pelo aparelho não foram publicizados nem compartilhados com a Secretaria do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que autorizou a operação. Em nota, a advogada da iniciativa privada, Constanze von der Meden, disse que o aparelho "não está funcionando como deveria".

"Não sabemos se o GPS foi danificado durante a operação, quando nossa equipe não estava presente. Estamos investigando. Recebemos dados, eles continuam chegando, mas o dispositivo não está funcionando como deveria", afirmou nesta segunda-feira.

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gq (OTS, AFP)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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