O plano europeu para proteger navegação no Estreito de Ormuz

25 abr 2026 - 18h46

França, Alemanha e Reino Unido lideram esforços para criar uma missão "defensiva" destinada a garantir segurança na região. Especialistas questionam viabilidade da estratégia.Potências europeias se mobilizam para montar uma missão naval multinacional com o objetivo de proteger a navegação no Estreito de Ormuz, depois que os combates no conflito entre Estados Unidos e Irã interromperam o tráfego em uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.

Em reuniões realizadas em Londres nesta semana, planejadores militares de cerca de 30 países se encontraram para discutir como a operação poderia funcionar na prática e de que forma navios comerciais poderiam ser protegidos. Após uma breve reabertura, Teerã voltou a fechar o estreito e sugere até a cobrança de um "pedágio".

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Correndo por fora das negociações entre EUA e Irã, as nações europeias têm defendido que uma ação naval na região só seja realizada após as negociações de paz avançarem. Ainda assim, países como a Alemanha já indicaram que deslocarão navios ao Mediterrâneo com o objetivo de se antecipar, caso uma eventual operação seja autorizada pelo Parlamento.

O que envolveria uma "missão defensiva"?

No centro das propostas do Reino Unido e da França está uma operação naval multinacional de caráter "estritamente defensivo", focada em proteger embarcações comerciais contra ataques, sem a realização de ofensivas contra alvos em terra. Segundo os dois países, a missão só seria lançada após um cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irã.

De acordo com Jürgen Ehle, contra-almirante alemão reformado e ex-conselheiro militar sênior da União Europeia, uma missão desse tipo envolveria reagir a agressões, e não atuar de forma ofensiva. Na prática, isso significa proteger navios de mísseis, drones ou embarcações hostis, em vez de atingir infraestrutura militar iraniana ou tropas em terra.

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Especialistas disseram à DW que a operação provavelmente exigiria fragatas ou destróieres equipados com sistemas de defesa aérea, além de drones caça-minas, incluindo sistemas não tripulados, para detectar e neutralizar minas navais.

O chamado Trio Europeu — formado por Alemanha, França e Reino Unido — deverá arcar com a maior parte do esforço militar. Berlim indicou que estaria disposta a contribuir com embarcações de remoção de minas e meios de reconhecimento marítimo, desde que haja aprovação do Parlamento. O chanceler Friedrich Merz destacou a necessidade de um mandato legal claro antes de qualquer envio de forças.

Neste sábado, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse que, "para ganhar tempo", navios da Marinha alemã serão deslocados para o Mar Mediterrâneo, entre eles o caça-minas Fulda. "Decidimos enviar algumas das unidades ao Mediterrâneo antes do previsto, para não perder nenhum tempo assim que tivermos o mandato", afirmou.

A França já dispõe de ativos navais significativos na região, incluindo oito navios de guerra, um porta-aviões e dois navios de assalto anfíbio. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que forças atualmente posicionadas no Mediterrâneo oriental e no Mar Vermelho — incluindo o porta-aviões Charles de Gaulle — poderiam ser parcialmente redirecionadas para apoiar a missão.

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A contribuição do Reino Unido ainda não foi especificada. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que mais de uma dezena de países demonstraram interesse em fornecer meios, mas não afirmou expressamente o que Londres colocaria à disposição.

Embora o Reino Unido tenha destróieres avançados, sua "prontidão e disponibilidade permanecem incertas", disse à DW Bence Nemeth, professor sênior de estudos de defesa do King's College London.

Quais são os riscos para a Europa?

O envio de meios navais ao Golfo pode pressionar as capacidades europeias em um momento de tensões elevadas mais próximas do continente. Nemeth alertou que a Europa precisa equilibrar ameaças vindas da Rússia, especialmente no Mar Báltico e no Atlântico Norte.

"Os europeus precisam primeiro de seus ativos navais para manter sua própria segurança", disse Nemeth, acrescentando que "eles não podem depender dos EUA como antes".

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Os riscos operacionais no Golfo permanecem significativos. Ehle observou que "capacidades de defesa aérea não garantem 100% de segurança", especialmente contra ataques em larga escala com drones.

Escrevendo para o Royal United Services Institute, o professor do King's College de Londres, David B. Roberts, destacou um ambiente de ameaças "em camadas", que vai desde "munições lentas e de baixa altitude, no nível mais baixo, até mísseis antinavio de alta velocidade e minas de contato, no nível mais alto".

A diplomacia pode garantir estabilidade?

Analistas concordam que deslocamentos navais, por si só, não podem garantir a segurança do estreito. Apenas um acordo diplomático — no qual o Irã tome uma decisão política soberana de recuar — oferece a perspectiva de interromper completamente os ataques", disse Roberts.

França e Reino Unido buscam ampliar a coalizão para além da Europa, envolvendo países como a Índia e a Coreia do Sul. O objetivo é aumentar a pressão diplomática e viabilizar a retomada do transporte comercial.

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Nemeth afirmou que "os países têm razões diferentes para participar dessas negociações". As mais comuns, acrescentou, "são a liberdade de navegação, o direito internacional e a segurança energética".

"Esses Estados não querem normalizar uma situação em que uma potência possa usar a força e a geografia para controlar um gargalo marítimo crucial", disse. "Isso criaria um precedente perigoso para o comércio global."

Enquanto a Europa trabalha para construir uma coalizão, países como Índia, Paquistão e China também buscam acordos bilaterais com Teerã para manter o fluxo de navegação, embora os volumes "permaneçam marginais", escreveu Roberts.

Por ora, a Europa se prepara para uma missão naval defensiva limitada, ao mesmo tempo em que pressiona por uma solução política. Ainda é incerto se haverá apoio internacional suficiente para viabilizar essa estratégia.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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