Na ONU, Trump ameaça usar força militar na América Latina

22 set 2026 - 15h26
Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump ameaçou usar força militar na América Latina para proteger interesses dos EUA, citou a deposição de Maduro e comparou cartéis ao Estado Islâmico, gerando reação de Lula sobre soberania. O americano previu a queda do regime cubano, ameaçou aniquilar o Irã caso rejeite um acordo, mostrou otimismo sobre o fim da guerra na Ucrânia e rejeitou a regulação global da inteligência artificial, que prefere chamar de "superinteligência".

O presidente americano defendeu ofensiva contra cartéis do narcotráfico, previu a queda do regime cubano, ameaçou o Irã e disse acreditar em um acordo rápido para encerrar a guerra na Ucrânia.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22/09), em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, que poderá recorrer à força militar na América Latina caso considere que os interesses americanos estejam sob ameaça. O republicano também endureceu o tom em relação ao Irã, Cuba e aos cartéis do narcotráfico, além de dizer que os Estados Unidos voltaram a ser "respeitados" no cenário internacional.

Trump afirmou que os EUA não permitirão ameaças aos seus interesses no continente americano
Trump afirmou que os EUA não permitirão ameaças aos seus interesses no continente americano
Foto: DW / Deutsche Welle

"Os Estados Unidos já não permitirão que ameaças contra o país se consolidem em nenhum lugar do continente americano. E, se for necessário, utilizaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos", declarou.

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Trump citou como exemplo a operação militar americana realizada em 3 de janeiro em Caracas, que resultou na captura e deposição do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Segundo o presidente americano, Maduro está preso em Nova York e responde a acusações de narcotráfico.

De acordo com Trump, desde a operação "centenas de presos políticos foram libertados". Ele afirmou ainda que seu governo trabalha por um "futuro muito melhor para o povo venezuelano" e destacou o acordo pelo qual os Estados Unidos passarão a controlar parte das reservas de petróleo da Venezuela.

Em outro momento do discurso, Trump voltou a atacar os cartéis do narcotráfico e cobrou medidas do México para combatê-los. Atualmente, o país não integra a iniciativa liderada por Washington para combater o narcotráfico na América Latina.

O presidente americano ainda comparou os cartéis ao Estado Islâmico (EI). "Os cartéis são o EI do continente americano porque torturam e extorquem como instrumento de terror", disse.

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Segundo ele, os grupos criminosos "deveriam ser eliminados, exilados ou detidos como combatentes inimigos sem possibilidade de libertação". O presidente também defendeu sua campanha de bombardeios contra embarcações supostamente utilizadas para transportar drogas no Mar do Caribe.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também discursou na abertura da Assembleia Geral e deixou um recado direto ao esforço americano de combate ao narcotráfico.

"O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. (...) Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo", disse Lula. "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas."

Trump diz que regime cubano "vai cair"

Citando Cuba, o republicano ainda afirmou que o país "vai cair", sem detalhar como isso ocorreria, e voltou a defender uma mudança de regime na ilha.

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"O regime comunista está sob forte pressão, a maior que já enfrentou. Cuba vai cair", declarou. "É um Estado que fracassou completamente. Está fracassando como nunca antes e acabará caindo."

Após as declarações, a delegação cubana abandonou o plenário da Assembleia Geral. Cuba deverá discursar no sábado, representada pelo chanceler Bruno Rodríguez. "O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba", acrescentou Trump.

Pressão sobre o Irã e otimismo sobre a Ucrânia

Ao abordar a guerra envolvendo o Irã, Trump disse que Teerã precisa tomar uma "grande decisão": aceitar um acordo para encerrar o conflito ou enfrentar a destruição.

Segundo o presidente americano, a República Islâmica poderá ser "aniquilada" e "levada ao inferno" caso rejeite um entendimento. Trump também reiterou que não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares.

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Apesar do tom ameaçador, afirmou acreditar que um acordo para encerrar a guerra será alcançado após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro.

Sobre a guerra na Ucrânia, Trump disse que um acordo de paz será alcançado rapidamente, algo que vem repetindo há meses. "Estamos trabalhando muito de perto com os líderes da Rússia e da Ucrânia, e vamos conseguir esse acordo. Vai acontecer mais rápido do que as pessoas imaginam. Eles estão cansados", afirmou.

IA e "superinteligência"

Trump também comentou o debate sobre a inteligência artificial (IA), após o secretário-geral da ONU, António Guterres, defender um consenso multilateral para regular a tecnologia.

O presidente americano rejeitou a criação de mecanismos globais de controle da IA e afirmou que o termo poderá ser substituído futuramente por "superinteligência".

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"Os Estados Unidos rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar essa inteligência artificial de que tanto se fala. Mais adiante ela será chamada oficialmente de 'superinteligência', porque a palavra 'artificial' dá a impressão de algo falso. E não é falsa", afirmou.

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gq (EFE, AFP, DW, OTS)

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