O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta terça-feira que a Ucrânia havia apresentado propostas aos negociadores dos EUA para um plano de fim da guerra com Moscou e sugeriu que a Rússia usaria suas eleições parlamentares do próximo mês como pretexto para declarar uma nova mobilização.
O anúncio de Zelenskiy sobre novas propostas para as negociações de paz — que estão praticamente paralisadas desde o início do conflito com o Irã — ocorre em meio a indícios, tanto da Rússia quanto da Ucrânia, de que os negociadores dos EUA visitariam em breve os dois países.
"Transmitimos nossas propostas à parte americana", disse Zelenskiy em seu discurso noturno por vídeo.
"E os Estados Unidos podem ajudar a fortalecer nossa defesa, em primeiro lugar com a defesa aérea, e pressionar a Rússia para que mude seus planos — a fim de se preparar para o fim da guerra, em vez de prolongá-la."
Zelenskiy não deu detalhes sobre as propostas.
Os negociadores norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram em Moscou pela última vez em janeiro passado e ainda não visitaram Kiev.
A Ucrânia tem repetidamente pedido um cessar-fogo após quase quatro anos e meio de combates. A Rússia afirma que deseja um acordo, mas qualquer solução deve envolver a cessão total, por parte da Ucrânia, de quatro regiões reivindicadas por Moscou, bem como a resolução das "causas profundas" do conflito.
Em suas declarações, Zelenskiy disse que a inteligência ucraniana tinha evidências de que a Rússia exploraria sua "pseudoeleição" de setembro — uma referência às restrições impostas às eleições — para proclamar uma nova mobilização com o objetivo de aumentar o número de combatentes.
"Eles estão se preparando para uma mobilização no outono, imediatamente após a simulação das eleições parlamentares", disse Zelenskiy, como parte de um plano para "criar a aparência de que os russos supostamente apoiam a guerra".
"Em seguida, após a chamada eleição, ele planeja uma rápida mobilização adicional de várias centenas de milhares de russos até o final do ano, além de outro número semelhante no ano que vem."
O alistamento, disse ele, seria adicional ao recrutamento por meio da celebração de contratos com militares.
O partido Rússia Unida, alinhado a Putin, e outras legendas amplamente pró-Kremlin devem manter sua predominância no Parlamento russo após a votação.
Na segunda-feira, a Suprema Corte da Rússia impediu o partido progressista Yabloko — o único partido oficialmente registrado que se opõe à guerra de Moscou na Ucrânia — de concorrer às eleições.
A Rússia declarou uma "mobilização parcial" em 2022, após o início, em fevereiro, de sua invasão em grande escala. Zelenskiy já havia sugerido anteriormente que Moscou iria introduzir uma nova mobilização.
Autoridades russas se recusaram a discutir o assunto.
O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, um dos mais fervorosos defensores da linha-dura do país, afirmou no mês passado que a Rússia não precisava de uma nova mobilização, já que 200 mil voluntários haviam assinado contratos no primeiro semestre de 2026.