Zelenskiy diz que Ucrânia apresentou aos negociadores dos EUA propostas para pôr fim à guerra com Rússia

11 ago 2026 - 18h17
(atualizado às 18h59)

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta terça-feira que ‌a Ucrânia havia apresentado propostas aos negociadores dos EUA para um plano de fim da guerra com Moscou e sugeriu que a Rússia usaria suas eleições parlamentares do próximo mês como pretexto para declarar uma nova mobilização.

O anúncio de Zelenskiy sobre novas propostas para as negociações de paz — que estão praticamente paralisadas desde o ⁠início do conflito com o Irã — ocorre em meio a indícios, tanto da Rússia ‌quanto da Ucrânia, de que os negociadores dos EUA visitariam em breve os dois países.

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"Transmitimos nossas propostas à parte americana", disse Zelenskiy em seu discurso noturno ‌por vídeo.

"E os Estados Unidos podem ajudar a ‌fortalecer nossa defesa, em primeiro lugar com a defesa aérea, e pressionar ⁠a Rússia para que mude seus planos — a fim de se preparar para o fim da guerra, em vez de prolongá-la."

Zelenskiy não deu detalhes sobre as propostas.

Os negociadores norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram em Moscou pela última vez em janeiro passado e ainda não visitaram Kiev.

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A Ucrânia tem repetidamente pedido um cessar-fogo após ‌quase quatro anos e meio de combates. A Rússia afirma que deseja um acordo, ‌mas qualquer solução deve envolver ⁠a cessão total, por ⁠parte da Ucrânia, de quatro regiões reivindicadas por Moscou, bem como a resolução das "causas profundas" ⁠do conflito.

Em suas declarações, Zelenskiy disse que ‌a inteligência ucraniana tinha evidências ‌de que a Rússia exploraria sua "pseudoeleição" de setembro — uma referência às restrições impostas às eleições — para proclamar uma nova mobilização com o objetivo de aumentar o número de combatentes.

"Eles estão se preparando para uma mobilização no outono, imediatamente ⁠após a simulação das eleições parlamentares", disse Zelenskiy, como parte de um plano para "criar a aparência de que os russos supostamente apoiam a guerra".

"Em seguida, após a chamada eleição, ele planeja uma rápida mobilização adicional de várias centenas de milhares de russos até o final do ‌ano, além de outro número semelhante no ano que vem."

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O alistamento, disse ele, seria adicional ao recrutamento por meio da celebração de contratos com militares.

O partido Rússia ⁠Unida, alinhado a Putin, e outras legendas amplamente pró-Kremlin devem manter sua predominância no Parlamento russo após a votação.

Na segunda-feira, a Suprema Corte da Rússia impediu o partido progressista Yabloko — o único partido oficialmente registrado que se opõe à guerra de Moscou na Ucrânia — de concorrer às eleições.

A Rússia declarou uma "mobilização parcial" em 2022, após o início, em fevereiro, de sua invasão em grande escala. Zelenskiy já havia sugerido anteriormente que Moscou iria introduzir uma nova mobilização.

Autoridades russas se recusaram a discutir o assunto.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, um dos mais fervorosos defensores da linha-dura do país, afirmou no mês passado que a Rússia não precisava de uma nova mobilização, já que 200 mil voluntários haviam assinado contratos no primeiro semestre de 2026.

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