Zelenskiy busca nova reunião com Trump conforme negociadores lidam com a questão de território

7 jan 2026 - 14h39

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, está buscando uma nova reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme autoridades de seu governo revisitaram as duas questões mais problemáticas nas negociações de paz que visam acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia.

Kiev está sob ‌pressão dos Estados Unidos para garantir a paz rapidamente, mas quer garantias de segurança dos aliados e está resistindo às exigências russas de ceder ‌a região oriental de Donetsk e desistir do controle da usina nuclear de Zaporizhzhia.

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Falando a repórteres pelo WhatsApp nesta quarta-feira, Zelenskiy disse que queria se encontrar com Trump novamente em breve para avaliar sua abertura a uma proposta ucraniana de que Washington forneça garantias de segurança por mais de 15 anos no caso de um cessar-fogo.

Ele também pediu a Trump que aumente a pressão sobre a Rússia, que tem sido fria ‍em relação ao esforço de paz apoiado pelos EUA e continua com seus ataques aéreos maciços contra as cidades ucranianas e a rede de energia do país.

"Os norte-americanos, na minha opinião, estão sendo produtivos neste momento; temos bons resultados... Eles precisam pressionar a Rússia. Eles têm as ferramentas e sabem como usá-las", disse Zelenskiy.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de ‌comentário sobre a sugestão de uma nova reunião entre Zelenskiy e Trump.

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Citando a operação dos EUA para ‌capturar o líder venezuelano Nicolás Maduro, Zelenskiy sugeriu que Washington poderia agir de forma semelhante contra o líder checheno Ramzan Kadyrov, um aliado de Vladimir Putin cujas tropas ficaram conhecidas por sua brutalidade na Ucrânia.

"Talvez então Putin veja isso e pense duas vezes", disse ele.

Conversações em Paris nesta semana produziram compromissos dos aliados de Kiev para apoiar um cessar-fogo com garantias, como a presença de tropas multinacionais.

Mas Zelenskiy disse que a expressão de "vontade política" ainda não foi traduzida em compromissos juridicamente vinculantes apoiados pelos parlamentos nacionais.

GRANDES OBSTÁCULOS

Zelenskiy falou conforme autoridades norte-americanas e ucranianas discutiam em Paris a questão do território e o destino da usina de Zaporizhzhia, a maior instalação nuclear da Europa, que ele descreveu como as duas questões mais espinhosas nas negociações.

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Kiev tem se recusado a sair da região industrializada de Donetsk, que a Rússia não conseguiu tomar por completo, apesar de ocupar grande parte dela. Zelenskiy disse que os Estados Unidos apresentaram a ideia de uma zona econômica livre na região se a Ucrânia se retirar das partes da região que ainda controla.

Na terça-feira, autoridades norte-americanas e ucranianas já haviam conversado sobre "algumas ideias" para abordar a questão do território. O enviado especial da Casa Branca Steve Witkoff disse que "opções sobre terra" foram discutidas e que ele esperava que se chegasse a um acordo.

Zelenskiy disse anteriormente que qualquer compromisso sobre território deve ser submetido a um referendo para os ucranianos.

De acordo com uma pesquisa de opinião realizada no mês passado, cerca de três quartos dos ucranianos estão preparados ‌para um acordo que congelaria a atual linha de frente, mas se opõem à cessão de território.

Os EUA também propuseram a operação trilateral da usina de Zaporizhzhia, que Moscou capturou em 2022 e conectou à sua própria rede elétrica, com um gerente-chefe norte-americano, disse Zelenskiy no mês passado.

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Em vez disso, Kiev propôs o uso conjunto ucraniano-americano da usina, de acordo com Zelenskiy, com os próprios EUA determinando como usar 50% da energia produzida.

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