A Igreja Católica espanhola, abalada por um escândalo de abusos sexuais cometidos por membros do clero, concordou nesta quinta-feira com o governo em indenizar as vítimas de abuso cujos casos prescreveram ou nos quais o agressor faleceu.
"Hoje estamos saldando uma dívida e fazendo justiça às vítimas. Estamos passando de décadas de silêncio e esquecimento para uma reparação justa paga pela Igreja", disse o ministro da Justiça, Félix Bolaños, sobre o acordo assinado por seu ministério e a Igreja.
O escândalo de abuso veio à tona depois que uma investigação do jornal El País em 2021 revelou mais de 1.200 supostos casos, ecoando escândalos semelhantes na Igreja Católica nos Estados Unidos, Irlanda e França.
Um relatório de 2023 do defensor de direitos humanos da Espanha estimou centenas de milhares de vítimas ao longo de décadas, com base em uma pesquisa com 8.000 pessoas. Ele pediu a criação de um fundo estatal e acusou a Igreja de não cooperar e tentar "minimizar o fenômeno". Mais de 700 pessoas compartilharam seus casos com o defensor até 2024.
Uma investigação encomendada pela Igreja Católica espanhola identificou cerca de 2.000 vítimas até o final de 2023.
Segundo o acordo assinado nesta quinta-feira, o defensor analisará cada caso e proporá uma indenização -- financeira, moral, psicológica ou reparadora -- com base na solicitação da vítima, disse Bolaños.
Anteriormente, as vítimas podiam se dirigir diretamente à Igreja, mas muitas relutavam. A Igreja disse nesta quinta-feira que já havia pago cerca de 2 milhões de euros às vítimas.
O novo processo é para as vítimas que não querem se dirigir diretamente à Igreja. As reparações propostas pelo defensor devem ser acordadas tanto pela vítima quanto pela Comissão de Avaliação da Igreja.