Vacinas são questão de segurança nacional, diz autoridade global de saúde

12 fev 2026 - 21h30
(atualizado às 21h46)

As vacinas são uma questão ‌de segurança nacional, afirmou nesta semana uma importante figura mundial da área da saúde, alertando que o aumento do sentimento antivacinas em todo o mundo pode comprometer esforços para combater futuras pandemias.

Richard Hatchett, que lidera a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) — parceria entre governos e instituições ⁠filantrópicas e uma das primeiras a financiar vacinas contra a Covid-19 em ‌janeiro de 2020 — disse que epidemias e pandemias continuam sendo uma ameaça global importante.

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"Este é um problema de segurança, não apenas um problema ‌de saúde global, não apenas um problema ‌de desenvolvimento", avaliou.

A mensagem é fundamental para a nova iniciativa da ⁠Cepi de arrecadar US$3,6 bilhões para seu trabalho de 2027 a 2031, disse Hatchett. A coalizão já tem US$1,1 bilhão em recursos existentes, e por isso está pedindo mais US$2,5 bilhões, para ajudar a acelerar o desenvolvimento de vacinas contra ameaças pandêmicas e epidêmicas.

"Precisamos reconhecer as ameaças ‌para as quais a Cepi está desenvolvendo capacidades de preparação", disse, citando vírus ‌que surgem naturalmente, acidentes ⁠de laboratório e ⁠o risco de ameaças biológicas deliberadamente criadas por agentes mal-intencionados, potencialmente possibilitadas pelos avanços ⁠na inteligência artificial — avanços que ‌também poderiam acelerar os esforços ‌de resposta.

Segundo ele, a mensagem ressoou nos governos, mesmo com o enfraquecimento das memórias da pandemia e o clima de financiamento assumindo um tom mais desafiador, com os países ricos — liderados pelos EUA — ⁠retirando-se da ajuda.

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O governo Trump cortou todo o financiamento, em particular para a Gavi, grupo que ajuda a comprar vacinas para os países mais pobres do mundo. O secretário de Saúde do presidente Donald Trump, Robert F. Kennedy Jr., há muito ‌promove visões antivacinas que contradizem as evidências científicas.

"Estou preocupado com a politização da política de vacinas nos EUA", disse Hatchett, acrescentando que um ⁠sentimento antivacina mais amplo também poderia enfraquecer a aceitação em futuras pandemias.

No ano passado, os EUA cancelaram mais de US$700 milhões em financiamento para a vacina de mRNA contra a gripe aviária da Moderna para humanos. A Cepi interveio com US$54,3 milhões para apoiar o desenvolvimento da vacina em fase avançada em dezembro.

Hatchett, que viajará aos EUA para conversas nas próximas semanas, disse que Washington compreende a ameaça representada por epidemias e pandemias e espera que continue sendo um parceiro forte. Ele acrescentou que o país continuou a trabalhar com a Cepi durante o governo Trump, inclusive nos recentes surtos da doença do vírus Marburg em Ruanda e na Etiópia.

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