O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta segunda-feira (20) que a União Europeia supere sua "resistência ideológica" contra os biocombustíveis.
A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa conjunta com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em Hanôver, na esteira das críticas a ações da UE que, segundo o mandatário progressista, ignoram práticas sustentáveis brasileiras.
"Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis. Eles são uma opção barata, confiável e eficiente para descarbonizar o setor de transporte", salientou Lula.
Segundo ele, o Brasil tem conhecimento "acumulado ao longo de cinco décadas" e "é capaz de produzir etanol e biocombustíveis sem comprometer a produção de alimentos e áreas de florestas", duas das principais preocupações da UE.
"O Brasil pode se tornar uma espécie de Arábia Saudita dos combustíveis renováveis", assegurou.
Na coletiva, Merz mostrou sintonia com o presidente e disse que a Europa "não deveria descartar tecnologias que vão se tornar relevantes nos próximos anos" Em janeiro, o poder Executivo da União Europeia cogitou retirar do biodiesel de soja o status de recurso renovável, o que impediria seu uso para o cumprimento de metas de redução de emissões de carbono, devido ao temor de que esse cultivo afete a produção de alimentos ou avance em áreas florestais.
No entanto, em sua visita à Alemanha, Lula descartou essas hipóteses. "Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina. As pessoas comem comida. Não há hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos ou de o Brasil ocupar a Mata Atlântica, a Mata Amazônica, por conta da produção de biocombustível", destacou o presidente. .