"Qualquer violência contra manifestantes pacíficos é inaceitável", declarou a chefe da diplomacia europeia na rede social X, pouco depois de um porta‑voz do bloco pedir o restabelecimento da internet no Irã. "Cortar o acesso à internet enquanto se reprime violentamente os protestos revela um regime que tem medo de seu próprio povo", acrescentou Kallas, após uma série de manifestações contra o governo iraniano ter sido duramente reprimida pelas autoridades do país.
A internet, cortada na quinta‑feira em todo o país, permanecia inacessível, segundo a ONG de monitoramento de cibersegurança Netblocks. "O povo iraniano está lutando por seu futuro. Ao ignorar suas reivindicações legítimas, o regime mostra sua verdadeira face", afirmou ainda Kallas.
A França afirmou compreender "as aspirações legítimas do povo iraniano" e pediu, também nesta sexta‑feira, que as autoridades de Teerã ajam "com a maior moderação" na resposta aos protestos, segundo fonte diplomática.
Na véspera, Berlim também denunciou o "uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos" pelo governo iraniano e exortou as autoridades de Teerã a "respeitar suas obrigações internacionais".
The Iranian people are fighting for their future. By ignoring their rightful demands, the regime shows its true colours.
Images from Tehran reveal a disproportionate and heavy-handed response by the security forces.
Any violence against peaceful demonstrators is unacceptable.…
— Kaja Kallas (@kajakallas) January 9, 2026
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que falou pela primeira vez ao país nesta sexta, declarou que a República Islâmica não se deixará intimidar pelas manifestações. Em um discurso transmitido pela televisão estatal, ele afirmou que as mãos do presidente norte-americano Donald Trump estavam "manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", em uma aparente referência à guerra de 12 dias desencadeada em junho por Israel contra o país, que teve o apoio dos Estados Unidos.
Khamenei também declarou que o "arrogante" líder americano seria "derrubado", assim como a monarquia que governou o Irã até a Revolução Islâmica de 1979, e insistiu que seu país não recuaria diante dos manifestantes, que chamou de "sabotadores" e "vândalos".
Protestos continuam
Novas manifestações foram registradas em várias cidades do país, como Tabriz, no norte, Mashhad, no leste, ou ainda Kermanshah, na região de maioria curda no oeste do país.O filho do antigo xá e figura da oposição no exílio, Reza Pahlavi, convocou a população nesta sexta para uma nova demonstração de força nas ruas, para "enfraquecer ainda mais o poder repressivo do regime".
Organizações de defesa dos direitos humanos acusam as autoridades de terem aberto fogo contra manifestantes, causando dezenas de mortes desde o início dos protestos contra o alto custo de vida. As manifestações, lançadas no fim de dezembro, são as maiores registradas no Irã desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente usar o véu de forma inadequada.