O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que considera reduzir o número de tropas americanas na Itália e na Espanha, no contexto de uma reavaliação mais ampla da presença militar dos EUA na Europa.
A declaração ocorre em meio a divergências entre o republicano e seus aliados sobre a guerra deflagrada contra o Irã.
Questionado sobre a possibilidade de redução, Trump respondeu de forma direta: "Provavelmente". Em seguida, criticou os dois países europeus. "A Itália não tem ajudado em nada. A Espanha tem sido horrível".
O republicano, que tem tido atritos com líderes de países aliados na Europa por não apoiarem o conflito no Oriente Médio, vinculou suas críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"É a Otan. Não se trata nem de quão ruins eles são. Seria uma coisa se eles tivessem dito as coisas educadamente", afirmou Trump, criticando também o nível de assistência europeia à Ucrânia e alegando que a situação no país resultou em "caos total".
Trump ainda mencionou o uso estratégico do Estreito de Ormuz, destacando que, segundo ele, a via tem sido mais utilizada por aliados europeus do que pelos próprios Estados Unidos.
Atualmente, cerca de 13 mil militares americanos estão posicionados em bases na Itália e aproximadamente 4 mil na Espanha. A possível retirada parcial dessas forças se soma a declarações anteriores de Trump sobre reduzir a presença militar na Alemanha, onde há cerca de 39 mil soldados dos EUA.
Em resposta, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que não compreende as razões por trás de uma possível redução das tropas dos Estados Unidos no país.
Em declaração à ANSA, Crosetto destacou que a Itália não faz uso estratégico do Estreito de Ormuz, mas, ainda assim, colocou-se à disposição para colaborar em missões internacionais voltadas à proteção da navegação na região.
"Não entendo os motivos. Como é claro para todos, não usamos Ormuz. E também nos colocamos à disposição para uma missão de proteção da navegação. Isso também foi muito apreciado pelos militares americanos", concluiu o ministro.