Trump mistura piadas com críticas em jantar em prol de liberdade de imprensa

25 jul 2026 - 14h55

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a imprensa ‌com humor e sarcasmo no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na sexta-feira, incorporando elementos típicos de seus comícios políticos em um evento que celebra a liberdade de imprensa e que foi retomado após um tiroteio ter interrompido a edição original em abril.

Trump, cujo governo tem frequentemente entrado em conflito com a imprensa, começou por seguir, em grande parte, o tom caloroso e descontraído da noite.

Publicidade

Mas grande parte do discurso, que durou mais de uma hora, se transformou em ataques diretos a seus adversários políticos, ecoando temas e frases repetidos ⁠com frequência.

O encontro de gala com jornalistas, políticos e autoridades do governo norte-americano, previsto para 25 de abril no hotel Washington Hilton, foi cancelado ‌naquela noite depois que um homem tentou forçar a passagem por um posto de segurança e disparou uma espingarda do lado de fora do salão de festas onde Trump e membros de seu gabinete estavam.

O suspeito, Cole Allen, se declarou inocente em maio das acusações, ‌que incluem tentativa de assassinato do presidente.

A jantar dos correspondentes é um evento anual ‌no calendário de Washington há mais de um século e arrecada fundos para bolsas de estudo em jornalismo, ao mesmo tempo ⁠em que celebra as liberdades de imprensa garantidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Várias centenas de jornalistas veteranos, juntamente com oito organizações profissionais de jornalismo, assinaram uma carta defendendo a associação de correspondentes a usar o jantar para condenar o que chamam de ataques de Trump à Primeira Emenda.

Publicidade

Apesar disso, o presidente recebeu as honras de praxe, com apenas alguns momentos constrangedores quando apertou a mão de jornalistas premiados por reportagens sobre o governo Trump.

"Espero que todos vocês saibam que acredito na imprensa livre mais do que qualquer pessoa nesta sala — ‌talvez não exatamente. É por isso que tenho orgulho de ser o presidente mais aberto e transparente da história", disse Trump. "É assim que me ‌chamam."

Trump também falou sobre o outro lado de ⁠seus ataques à imprensa: o acesso ⁠sem precedentes que ele proporcionou ao participar de frequentes sessões de perguntas e respostas com repórteres e ao atender pessoalmente ligações de muitos deles.

"Sempre acho que, ⁠quando você não fala com a imprensa, acaba ganhando uma matéria ruim", disse ‌Trump, cuja relação com a imprensa remonta a ‌décadas, desde sua ascensão como um conhecido incorporador imobiliário de Nova York na década de 1980. "Quando você fala com a imprensa, tem a chance de ganhar uma matéria boa."

Publicidade

Como muitas das piadas em seu teleprompter não fizeram efeito, ele questionou a competência de seus redatores de discursos, chegando a perguntar, em determinado momento: "Alguém entende isso?"

Quando uma piada não deu certo, Trump comentou: "Na verdade, essa ⁠foi a única coisa que achei boa nesse discurso todo, que é uma verdadeira bobagem."

Entre piadas e insultos, Trump voltou a abordar temas frequentemente discutidos em seus comícios políticos, destacando o que considera conquistas de seu governo em questões como o Irã e a criminalidade em Washington.

Trump se mostrou ocasionalmente introspectivo, por exemplo, reconhecendo seu próprio problema de peso depois de zombar de outros.

Os dois eventos deste ano marcaram a primeira participação de Trump, na qualidade de presidente, no jantar dos ‌correspondentes. Ele havia boicotado o evento nos anos anteriores de seu mandato, embora tenha prometido voltar no ano que vem.

Publicidade

Defensores da liberdade de imprensa criticaram o governo Trump pelas ações judiciais movidas contra organizações de mídia, pelas restrições ao acesso de alguns jornalistas e pelas ⁠ameaças de medidas contra emissoras. Ele rejeita as críticas, afirmando que seu governo está promovendo a prestação de contas e combatendo o viés.

O evento de sexta-feira também homenageou o agente do Serviço Secreto Victor Gonzales, que foi baleado em um posto de controle de segurança do lado de fora do salão de baile em abril e é considerado o responsável por impedir o ataque, bem como a equipe do Washington Hilton que prestou assistência aos convidados. Gonzales sobreviveu graças ao colete à prova de balas que usava.

O jantar foi transferido para um local menor no hotel Waldorf Astoria, sob segurança reforçada, e uma das primeiras mensagens da noite foi de resistência diante do ataque.

"Não cedemos à violência política... Nenhum perdedor perturbado com uma arma jamais mudará isso", disse Trump, fazendo eco aos sentimentos expressos por outros oradores.

Publicidade

Ainda assim, ele não resistiu a lançar calúnias contra seus críticos na imprensa e no mundo do entretenimento, destacando para ataques jornalistas como Don Lemon e Lawrence O'Donnell, políticos como Chris Christie e Adam Schiff, e celebridades, incluindo Bruce Springsteen e Jane Fonda.

Como é típico das mensagens contraditórias, Trump agradeceu aos anfitriões e disse que fez amigos, mas não chegou a abraçar totalmente seus frequentes antagonistas.

"Foi uma noite interessante. Eu realmente não sabia o que esperar", disse Trump. "E é muito pior do que eu realmente imaginava."

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações