Donald Trump alertou que Delcy Rodríguez pode enfrentar consequências mais severas que Nicolás Maduro se não cooperar após ser reconhecida como presidente interina da Venezuela, enquanto o Conselho Europeu questiona a legalidade das ações dos EUA no país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez poderá pagar um preço mais alto que o líder capturado Nicolás Maduro 'se ela não fizer o que deve'. A declaração foi dada em entrevista à revista The Atlantic.
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Mais cedo neste domingo, 4, os militares da Venezuela reconheceram Rodríguez como presidente interina. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, fez um pronunciamento que incluiu a decisão da Suprema Corte de que a vice-presidente assuma o poder por 90 dias.
Inicialmente, Trump chegou a fazer elogios a Rodríguez no sábado, 3, após a prisão de Maduro e sua esposa, em Caracas, pelas forças armadas estadunidenses.
Depois, a vice afirmou que a Venezuela defenderia seus recursos naturais. "Se ela não fizer o que deve, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro", declarou Trump, em entrevista concedida por telefone, ao chegar em seu campo de golfe em West Palm Beach, na Flórida.
O republicano também defendeu a decisão pela captura de Maduro à força: "Sabe, reconstruir o país e promover uma mudança de regime, como queiram chamar, é melhor do que a situação atual. Não pode piorar".
Trump destacou que outros países também podem estar sujeitos à intervenção dos EUA: "Precisamos da Groenlândia, com certeza", declarou sobre a ilha que integra o território da Dinamarca, país membro da OTAN.
Manifestação do Conselho Europeu
O secretário-geral do Conselho Europeu, Alain Berset, afirmou neste domingo, 4, que a situação da Venezuela levanta "sérias questões sobre o direito internacional". Por meio de nota, disse ainda que os relatos vindos do país "marcam um momento de profunda incerteza para o povo venezuelano e para a estabilidade e segurança internacionais".
A manifestação de Berset ocorre após o ataque dos Estados Unidos deste sábado, 3, que causou a morte de ao menos 80 pessoas na Venezuela e capturou o ditador Nicolás Maduro. O presidente americano, Donald Trump, afirmou em coletiva após o ataque que os EUA governarão a Venezuela e vão 'controlar suas reservas de petróleo'.
"O Conselho Europeu considera que qualquer uso da força no território de outro Estado levanta sérias questões sob o direito internacional, incluindo os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas de soberania, integridade territorial e não interferência", acrescentou Berset.
O porta-voz defendeu que a transição de poder no país deve ser pacífica, democrática e respeitar a vontade do povo venezuelano. "A democracia só pode prevalecer se for reconquistada pelos próprios venezuelanos, por meio de um processo político inclusivo, eleições confiáveis e a restauração de instituições democráticas que inspirem confiança pública".
Berset fez ainda um paralelo com a situação na Europa. "O Conselho, por meio de sua atuação na Ucrânia, sabe o quão frágil o direito internacional se torna quando o uso da força é normalizado. É por isso que a coerência e a credibilidade são importantes", reforçou.
O porta-voz finalizou dizendo que o direito internacional só faz sentido quando é universal. "Um mundo governado por exceções, padrões duplos ou esferas de influência concorrentes é um mundo mais perigoso".
*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo.