Trump decidirá em breve sobre acordo com o Irã e diz que o Estreito de Ormuz precisa ser aberto

29 mai 2026 - 14h09
(atualizado às 14h38)

O presidente dos Estados ‌Unidos, Donald Trump, disse que tomaria uma decisão final nesta sexta-feira sobre um acordo com o Irã para estender seu cessar-fogo, que precisaria incluir a abertura do Estreito de Ormuz e o desmantelamento da capacidade de Teerã de fabricar uma arma nuclear.

"Estarei me reunindo agora, na Sala de Situação, para tomar uma decisão final", disse ele, referindo-se ao centro nervoso da Casa Branca para monitorar crises globais.

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Fontes disseram que um acordo estava sendo fechado ⁠para estender uma trégua em vigor desde o início de abril por mais 60 dias para permitir que as remessas ‌de petróleo e gás fossem retomadas através da hidrovia estratégica, enquanto os negociadores lidam com questões complicadas, como o programa nuclear do Irã.

"O Irã precisa concordar que nunca terá uma arma nuclear ou uma bomba. O Estreito ‌de Ormuz precisa ser imediatamente aberto, sem pedágios, para o tráfego ‌marítimo irrestrito, em ambas as direções", disse Trump, acrescentando que o material nuclear seria "desenterrado" pelos EUA.

Mais cedo, ⁠o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, mostrou-se cético.

"Não confiamos em garantias e palavras, apenas ações são o critério. Nenhuma ação será tomada antes que o outro lado aja", disse Qalibaf em uma publicação na mídia social, sem entrar em detalhes.

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"O vencedor de qualquer acordo é aquele que estiver mais bem preparado para a guerra no dia seguinte."

A agência de notícias semioficial Fars do Irã, citando fontes, disse que havia uma "mistura de verdade e ‌falsidade" nos comentários de Trump, que eram uma "tentativa de retratar uma vitória fabricada".

Depois que os EUA suspenderem seu bloqueio aos ‌navios iranianos, o estreito será reaberto ⁠de acordo com os arranjos ⁠de Teerã, disse a Fars.

Não houve nenhuma disposição para destruir materiais nucleares no Memorando de Entendimento das partes, disse a agência, ⁠embora tenha havido um acordo para liberar US$12 bilhões dos ativos ‌congelados do Irã.

MILHARES DE MORTOS, ECONOMIA ‌GLOBAL ESTÁ SOFRENDO

A guerra lançada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e causou sofrimento econômico global ao elevar os preços da energia devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã.

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Os preços do petróleo caíam e as ações subiam nesta sexta-feira ⁠por causa do possível acordo. 

Em sua postagem no Truth Social, Trump disse que as minas seriam removidas do estreito e que os navios retidos lá poderiam começar a voltar para casa: "Digam OLÁ para suas esposas, maridos, pais e famílias da minha parte, seu presidente favorito!"

Ele acrescentou que nenhum dinheiro seria trocado "até segunda ordem" -- uma possível referência às exigências do Irã de pagamento de pedágio no ‌estreito, reparações por danos de guerra ou liberação de fundos iranianos congelados no exterior.

O Cazaquistão sinalizou que está disposto a tomar posse do estoque de urânio enriquecido do Irã, próximo aos níveis necessários para armas nucleares, caso ⁠os EUA cheguem a um acordo com o Irã, disse ao Financial Times o chefe da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi.

O Cazaquistão abriga um banco de urânio de baixo enriquecimento controlado internacionalmente para garantir o fornecimento de combustível para usinas de energia nos países membros da Agência Internacional de Energia Atômica.

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Em outro movimento diplomático, o ministro das Relações Exteriores do mediador Paquistão, Ishaq Dar, chegou a Washington nesta sexta-feira para conversar com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O Irã também quer que as sanções sejam suspensas, que as forças dos EUA sejam retiradas da região e que qualquer acordo de paz também acabe com a ofensiva de Israel, aliado dos EUA, no Líbano.

Israel deslocou centenas de milhares de pessoas com uma investida profunda no Líbano em busca do principal aliado do Irã, o grupo Hezbollah.

Os ataques israelenses atingiram o sul e o leste do Líbano, além de sua capital, Beirute, matando mais de 3.200 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano.

Israel afirma que 23 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.

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