Trump anuncia trégua em ataques contra energia, mas Zelensky diz que não sabia

Segundo presidente dos EUA, o suposto acordo tem 'efeito imediato'

11 out 2026 - 12h16
Resumo
Trump anunciou um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia, mas Zelensky afirmou desconhecer o acordo, embora tenha se dito disposto a aceitá-lo se Moscou cumprir. O anúncio ocorre em meio à escalada de tensões entre os dois líderes, após Trump negociar diesel com Putin e sugerir a substituição do presidente ucraniano. Em resposta, Zelensky condicionou a realização de eleições a uma trégua total de 60 dias e recebeu manifestações de apoio de aliados europeus.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (11) uma trégua entre Rússia e Ucrânia para suspender os ataques contra infraestruturas energéticas, medida que era ignorada por Volodymyr Zelensky.

    A iniciativa chega em meio às crescentes discordâncias entre a Casa Branca e o presidente ucraniano, que criticou o acordo entre Washington e Moscou para o comércio de óleo diesel e viu Trump defender que ele seja substituído no poder.

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    "Com efeito imediato, estabeleceu-se um cessar-fogo energético na guerra entre Rússia e Ucrânia. Ambas as partes concordaram. Não o violem!", escreveu o republicano na plataforma Truth Social.

    Moscou ainda não confirmou o acordo, enquanto Zelensky disse que não estava sabendo. "O anúncio do cessar-fogo é uma novidade para mim, mas se os russos aceitarem uma trégua no setor energético, a Ucrânia concordará", declarou o mandatário ao jornalista israelense Barak Ravid.

    "Se o presidente Trump acertou isso com Putin, que nos digam, por favor, quando o cessar-fogo começa. Estamos prontos e concordaremos com isso", acrescentou.

    Trump já havia anunciado uma iniciativa semelhante em setembro, porém os ataques contra infraestruturas de energia continuaram.

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    Controvérsias - No fim da semana passada, o líder americano fechou um acordo com o regime de Vladimir Putin para liberar milhões de toneladas de óleo diesel russo no mercado global, em uma tentativa de segurar os preços dos combustíveis às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, no início de novembro.

    A medida irritou Zelensky, que a definiu como "indigna", "fraca" e "desonesta" e acusou Washington de dar um "presente de aniversário" para Putin, que completou 74 anos em 7 de outubro.

    Trump reagiu no último sábado (10) e disse que é chegado o momento "de a Ucrânia ter um novo presidente", além de exigir que Kiev suspendesse os ataques contra refinarias na Rússia.

    Em resposta, Zelensky afirmou neste domingo que "cabe aos ucranianos escolher o próprio líder" e que estaria disposto a convocar eleições caso Moscou aceite um cessar-fogo completo de 60 dias. Além disso, prometeu interromper os bombardeios contra refinarias quando a Rússia parar de atacar infraestruturas energéticas, enquanto a Ucrânia se aproxima de mais um inverno rigoroso.

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    Países europeus manifestaram apoio ao presidente ucraniano.

    "A Europa precisa de estabilidade, e isso significa que continuamos do lado da Ucrânia e de seu governo", afirmou o ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul.

    O premiê da Polônia, Donald Tusk, telefonou para Zelensky e ofereceu "plena solidariedade", assim como o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham.

    Zelensky foi eleito em 2019 para um mandato de cinco anos, período esgotado em 2024. A legislação ucraniana, no entanto, proíbe a realização de eleições sob Lei Marcial, instrumento em vigor desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

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