Três gráficos que mostram impacto da guerra do Irã na popularidade de Trump

Com a alta dos preços da gasolina, a aprovação de Trump entra em um terreno politicamente perigoso.

27 mar 2026 - 11h51
Um homem insere seu cartão de crédito em uma bomba de combustível em Boston
Um homem insere seu cartão de crédito em uma bomba de combustível em Boston
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem caindo de forma constante desde que voltou à Casa Branca em janeiro do ano passado.

Embora parte disso seja comum em segundos mandatos presidenciais nos EUA, a queda da popularidade de Trump também reflete a insatisfação pública com os preços elevados e a piora do custo de vida, questões que impulsionaram vitórias do Partido Democrata (de oposição ao Partido Republicano, do qual Trump faz parte) em um número crescente de eleições no último ano.

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Segundo dados do site de análise eleitoral The Downballot, os democratas tiveram, em média, um desempenho 13% melhor em eleições especiais disputadas em 2025 do que nos mesmos distritos durante a eleição presidencial de 2024, quando Trump derrotou a democrata Kamala Harris.

A guerra no Irã apenas agravou essas preocupações econômicas dos eleitores.

A empresa de pesquisas Ipsos constatou que 43% dos americanos aprovavam a condução da economia por Trump no início de seu segundo mandato. Em 23 de junho de 2025, esse número caiu para 35%, patamar em que se manteve pelo restante do ano.

Três semanas após o início da guerra com o Irã, os preços da gasolina subiram para uma média próxima de US$ 4 (cerca de R$ 20) por galão (cerca de 3,8 litros), como mostra o gráfico abaixo.

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A aprovação de Trump na economia, por sua vez, caiu para 29%.

Esse índice é inferior a qualquer nível registrado pelo ex-presidente americano Joe Biden (2021-2025), do Partido Democrata, durante seus quatro anos na Casa Branca, período em que os americanos enfrentaram um pico de inflação após a pandemia de covid-19.

A ansiedade econômica contribuiu para a derrota dos democratas em 2024 e para que os republicanos ganhassem o controle sobre as duas casas do Congresso. Agora, parece estar pesando sobre a aprovação de Trump.

No início de seu segundo mandato, segundo a média de pesquisas do analista político Nate Silver, Trump tinha 52% de aprovação.

Embora não tenha sido o tipo de "lua de mel" política que muitos presidentes experimentaram no início de seus mandatos, o apoio da maioria dos americanos após uma eleição disputada como a de 2024 permitiu a Trump avançar com sua ampla agenda política em áreas como imigração, tarifas, cortes no governo e reforma tributária.

Em 28/2, no início da guerra com o Irã, porém, apenas 42% dos americanos tinham uma avaliação positiva do presidente. Nesta semana, esse índice caiu para 40%, como mostra o gráfico abaixo.

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Esse é um terreno perigoso para um presidente em exercício a apenas sete meses das eleições legislativas de meio de mandato (quando o comando do Senado e da Câmara podem passar dos republicanos para os democratas). Quanto mais a guerra com o Irã se prolongar — e quanto mais afetar a economia global e pressionar os preços ao consumidor — maior pode ser o risco.

Na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), realizada nesta semana perto de Dallas, no Texas, nos EUA, um encontro de políticos de direita, ativistas e eleitores engajados, as eleições de novembro foram um tema recorrente.

"Não podemos deixar a esquerda vencer este ciclo eleitoral e acabar com essa agenda pela qual estamos lutando todos os dias", disse Michael Whatley, candidato ao Senado pela Carolina do Norte e ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.

Whatley alertou que, caso os democratas voltem a ter o controle do Congresso americano, "virão impeachment, farsas, investigações e uma agenda fora de controle".

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O fato de a taxa de aprovação do presidente não ter sofrido uma queda mais acentuada desde o início da guerra pode ser explicado porque, embora a maioria da população tenha se oposto à intervenção militar dos EUA desde o começo, a base política de Trump continua a apoiá-lo, apesar das preocupações econômicas, segundo dados compilados pelo Pew Research Center.

Esse apoio da base fiel do partido, que ignora suas promessas de campanha de retirar os EUA de conflitos externos, ficou evidente na CPAC, no Texas.

"É melhor pagar mais agora do que pagar muito mais depois", disse Paul Heere sobre o aumento dos preços da gasolina nos EUA. "Acho que ninguém quer que outro país naquela região tenha armas nucleares, então é preciso pagar esse preço."

Uma pesquisa recente da Universidade de Quinnipiac, nos EUA, apontou que 86% dos republicanos apoiam a ação militar dos EUA no Irã e 80% aprovam a forma como Trump a conduz. Entre todos os eleitores registrados, esses números caem para 39% e 34%, respectivamente.

Os democratas têm se oposto, em grande parte, a tudo o que Trump fez desde que voltou à Casa Branca. Mas agora os eleitores independentes também parecem estar se voltando contra ele.

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Conquistar os eleitores independentes foi um dos fatores-chave para a vitória de Trump em 2024.

A menos que a dinâmica política atual mude, a rejeição desses eleitores pode contribuir para um possível revés do seu Partido Republicano em novembro.

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